Ausência de representante da Aracruz é lamentada

07/05/2003 - 16:55  

A ausência de um representante da Aracruz Celulose foi lamentada tanto pelos depoentes que já falaram até agora na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos quanto pela autora do requerimento para o debate, deputada Iriny Lopes (PT-ES). A audiência está discutindo as denúncias de envenenamento e destruição do meio ambiente por causa da monocultura de eucalipto no Norte do Espírito Santo, em decorrência do uso indiscriminado de herbicidas pela empresa Aracruz Celulose.
A deputada Iriny Lopes informou há pouco que o convite foi enviado à empresa com 30 dias de antecedência.

CALAMIDADE
O representante da Federação dos Órgãos para a Assistência Social e Educacional, Marcelo Calazans, disse que nesses 30 anos de permanência da Aracruz, no Espírito Santo, tem sido verificada situação de calamidade na região, especialmente nos municípios litorâneos do Norte, em função do modo de produção arcaico e depredatório adotado pela empresa.
Ele criticou ainda o fato de que o Governo, por meio do BNDES, emprestou R$ 840 milhões para a construção de uma terceira fábrica de celulose no Espírito Santo, que vai gerar apenas 173 empregos diretos.
Na opinião de Calazans, o Estado tem sido conivente com a política da Aracruz. Segundo afirmou, 96% do que é produzido são destinados para a exportação na América do Norte, Ásia e Europa. A empresa produz dois milhões de toneladas de celulose branqueada por ano, provocando depredação no meio ambiente pelo uso de agrotóxico, contaminação dos trabalhadores e rios destruídos.

CONTAMINAÇÃO DE TRABALHADORES
De acordo com o representante do Movimento dos Pequenos Agricultores, Derly Cazali, milhares de trabalhadores estão contaminados e três crianças morreram. Elas tiveram contato direto com embalagens de veneno largadas pela empresa embaixo de árvores. Cazali afirmou que a empresa explora os agricultores da região a partir de contratos de trabalho prejudiciais. Ele garantiu que os agricultores que plantam eucaliptos são obrigados pela Aracruz a usar agrotóxicos.
O representante dos agricultores apresentou dados demonstrando que a empresa de celulose está tomando conta de toda a área do estado do Espírito Santo em detrimento de plantação de outras culturas, como a do café, cuja produção foi reduzida pela metade depois da chegada da Aracruz Celulose.
Cazali destacou que, enquanto o café gera mais de 200 mil empregos diretos, a Aracruz gera apenas 4.800 empregos.
O depoente criticou o Governo anterior por ter repassado R$ 1 bilhão para a Aracruz no ano passado a título de empréstimo, enquanto para a agricultura familiar do País inteiro foram disponibilizados, no mesmo período, R$ 600 mil. "Plantação de eucaliptos não é alimento e o estado, que tem sido tão conivente com essa empresa, precisa repensar essa postura", afirmou.
Neste momento, está com a palavra o representante da comunidade dos quilombolas, Domingos Firmiano dos Santos.

Por Mauren Rojahn/ CL

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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