Nunca vi tanta morte, diz ex-trabalhador da Aracruz
07/05/2003 - 17:32
O representante dos ex-trabalhadores mutilados da Aracruz Celulose, Jair Alves de Lima, que trabalhou na empresa durante 17 anos, afirmou há pouco na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, Meio Ambiente e Minorias que nunca tinha visto tantos trabalhadores morrerem em uma empresa como viu durante o período em que trabalhou na Aracruz. De acordo com ele, o que ocorria lá “era um verdadeiro massacre, morriam trabalhadores embaixo de tratores, amassados por árvores quando da derrubada das mesmas e, principalmente, contaminados por agrotóxicos e benzina”.
O ex-trabalhador informou que a empresa tem capatazes armados e que os empregados, ainda que não concordem, são obrigados a assinar avisos prévios para a demissão.
Segundo Jair Lima, muitos trabalhadores entraram com ações na Justiça contra a empresa e os processos sumiam ou ficavam parados. Ele assegurou ter conhecimento de que 1.079 ações estão paradas na esfera judicial.
O representante dos ex-trabalhadores mutilados da Aracruz garantiu que os funcionários que se acidentavam no trabalho nunca recebiam indenizações.
AMEAÇAS DE MORTE
Lima disse também que, após ter denunciado a empresa, sua casa foi metralhada e passou a receber ameaças de morte. Em função disso, o ex-trabalhador mandou a família toda para Minas Gerais, apesar de ainda estar morando sozinho no Espírito Santo.
O representante da comunidade dos quilombolas, Domingos Firmiano dos Santos, que falou à Comissão ntes do ex-trabalhador, informou que atualmente 70% do território onde mora estão ocupados por eucaliptos. Neste momento, está com a palavra o representante da Secretaria especial de Direitos Humanos, Perry Cipriano.
Por Mauren Rojahn/CL
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)
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