Direitos Humanos

Comissão vai cobrar do governo do Rio auxílio às vítimas de Realengo

10/08/2011 - 19:23  

Gustavo Lima
Audiência Pública, tema: Ouvir os pais e ou responsáveis pelas crianças vítimas da chacina na escola Tasso da Silveira, em Realengo, Rio de Janeiro
A Comissão de Direitos Humanos ouviu familiares das vítimas da chacina de Realengo.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias vai reunir e organizar as demandas apresentadas pelas famílias das vítimas da chacina na escola Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, para cobrar do estado e da prefeitura do Rio ações de auxílio às vítimas. Em audiência pública realizada nesta quarta-feira, os deputados que integram o colegiado ouviram relatos de familiares de quatro crianças baleadas que acusaram o Poder Público de omissão na prestação de atendimento em diversas áreas, como saúde, educação e moradia.

A chacina, ocorrida no início de abril deste ano, foi causada por um ex-estudante que abriu fogo contra alunos dentro de uma escola municipal, matando 12 pessoas e ferindo 11. Depois de realizar os disparos, o atirador suicidou-se. “Meu filho foi baleado, está sem os movimentos da mão direita, sofreu bullying depois da tragédia, não consegue voltar às aulas [por insegurança psicológica] e ainda recebi uma ligação com ameaça de reprovação por faltas”, declarou Carla Daniele Alves Ferreira, mãe do menino Carlos Matheus, que aguarda cirurgia para tentar recuperar parte dos movimentos do braço.

Carla Ferreira contou que, depois de ter sido convidada para participar da audiência pública na Câmara, representantes da prefeitura carioca a procuraram oferecendo serviços. “Eu tive uma experiência na semana passada e parece que, quando a gente leva o nome de um deputado, a coisa anda mais, ganha peso, e eles [a prefeitura] logo correm para tentar solucionar o problema. Então, a gente corre atrás dos deputados para tentar acelerar o processo de ajuda”, afirmou.

Andréia Machado Monteiro, cuja filha Thayane Tavares perdeu os movimentos das pernas, revelou a dificuldade de retomar a normalidade profissional tendo que cuidar integralmente da filha, que está com sintomas de depressão, além de ainda não ter conseguido fazer uma série de exames para iniciar o processo de fisioterapia. “Alguém precisa ser punido, porque ela estava em um colégio público. Thayane também precisa de acompanhamento do colégio em casa, não apenas para receber as apostilas, mas da presença do professor”, cobrou Andréia.

A deputada Liliam Sá (PR-RJ), autora do requerimento para a realização da audiência, informou que a comissão vai cobrar da prefeitura, e das secretarias de Educação e de Saúde o cumprimento do que foi prometido. “Vamos escutar [as reivindicações] e colocar na pauta da próxima reunião pedindo uma audiência com o prefeito do Rio de Janeiro”, disse.

Reportagem - Rodrigo Bittar
Edição – Maria Clarice Dias

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