Direitos Humanos

Jovens fazem manifesto na Câmara pelas vítimas da chacina no Rio

Comissões promoveram debate sobre políticas de assistência a pessoas com transtorno mental. Os parlamentares discutiram formas de tratamento para estudantes com problemas de saúde mental.

13/04/2011 - 20:35  

Saulo Cruz
Homenagem as Vítimas da Chacina em Escola de Realengo
Os adolescentes levantaram faixas com os nomes das vítimas de Realengo.

Com fitas negras nos braços, jovens que trabalham na Câmara dos Deputados fizeram um ato, nesta quarta-feira, em memória às vítimas da chacina ocorrida em escola no Rio de Janeiro, na semana passada. A homenagem ocorreu na Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

O estudante Kelvin Pereira participou da manifestação e destacou a importância do combate ao bullying nas escolas. “Isso podia ter acontecido em qualquer escola. O bullying tem de ser combatido em todas as escolas, com palestras e outros meios.” O assédio escolar, conhecido como bullying, é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo incapaz de se defender.

A presidente da comissão, deputada Manuela D'ávila (PCdoB-RS), ressaltou a solidariedade demonstrada pelos jovens que participam do programa Pró-adolescente da Câmara dos Deputados. “Esses adolescentes se sensibilizaram e nos deram uma aula, nos mostraram como agir em momentos difíceis e tensos como este.”

Para Manuela D'ávila, a chacina de Realengo chama a atenção para a violência ocasionada pela falta de respeito às diferenças. Na última quinta-feira (7), Wellington Menezes de Oliveira matou 12 crianças em uma escola na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele era ex-aluno da instituição.

Saúde mental
O atentado trouxe outra discussão à Câmara: a da sanidade mental. Depois da divulgação das cartas deixadas pelo assassino, muitos especialistas apontaram evidências de transtorno mental.

Nesta terça-feira (12), as comissões de Seguridade Social e Família; e de Direitos Humanos e Minorias realizaram audiência pública para debater políticas afirmativas e de assistência para as pessoas com transtorno mental. O deputado Mandetta (DEM-MS) defendeu a contratação de psicólogos nas escolas para identificar os problemas de bullyng, de obesidade, depressão, por exemplo. Já o deputado Henrique Afonso (PV-AC), considera difícil manter um psicólogo em escolas. “Se não se consegue colocar esse profissional para trabalhar em hospitais com pacientes, como é que vai garantir um em cada escola?", assinalou

A coordenadora de Políticas de Inclusão do Ministério da Educação, Liliane Garcez, ressaltou que as políticas de educação têm de ser integradas às políticas de saúde. “Não adianta deslocar profissionais da saúde para atuar em escolas só para diagnosticar um problema ou outro das crianças.”

Henrique Afonso acrescentou que é necessária uma interação entre a instituição de ensino, a família e os centros de atenção psicossocial. “Acredito que se tivessem identificado essa tendência genética de transtorno mental desse jovem, certamente ele não faria a tamanha maldade que fez.”

A deputada Liliam Sá (PR-RJ) presenciou a situação da comunidade de Realengo nas primeiras horas depois do massacre. Ela é integrante da comissão de Direitos Humanos e trabalha com proteção à infância. A deputada pretende apresentar um relatório sobre o que presenciou. Ela é favorável à instalação de detectores de metais em escolas, mas espera que volte a prática de manter na portaria das escolas um profissional que acompanhe a entrada e saída dos alunos. Lilian Sá também defendeu um policiamento ostensivo perto das escolas.

Da Reportagem/ RCA

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