Dramaticidade foi o tom dos discursos de Collor e Goulart
30/12/2010 - 16:55
O discurso de posse mais longo e com mais propostas da história republicana foi feito pelo presidente Fernando Collor, que governaria por apenas dois anos e sete meses. Em 5.926 palavras, Collor prometeu debelar a inflação, expurgar do governo a corrupção e o empreguismo e racionalizar o serviço público. E propôs até a criação de um imposto internacional sobre poluição, antecipando a discussão sobre o aquecimento global.
No texto lido por Collor é possível também encontrar frases dramáticas, que anteciparam o comportamento de matar ou morrer que seria a marca do seu mandato. “Vencerei ou falharei na medida em que esse desafio for enfrentado, sem demora e sem tréguas”, afirmou, sobre o combate à inflação. Mais à frente, continuou: “Haveremos de ferir de morte, de destruir na fonte, a inflação no Brasil”.
Porém, certamente o discurso de posse mais dramático, até pela situação política do País, foi aquele pronunciado pelo presidente João Goulart em 8 de setembro de 1961, dias depois da renúncia de Jânio Quadros. “Surpreendido quando em missão do meu País no exterior, com a eclosão de uma crise político-militar, não vacilei um só instante quanto ao dever que me cabia cumprir”, disse, para em seguida proclamar: “Tudo fiz para não marcar com o sangue generoso do povo brasileiro o caminho que me trouxe a Brasília”.
A história se encarregou de mostrar que João Goulart permaneceria fiel ao seu discurso de posse, ao evitar, três anos depois, o caminho da violência como contraponto ao golpe de Estado desfechado em abril de 1964 pelos comandantes militares.
Reportagem – Roberto Seabra
Edição – João Pitella Junior