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Deputados ressaltam importância de Rachel de Queiroz

19/11/2010 - 19:23  

J.B. Souza
Rachel de Queiroz, primeira mulher a entrar na ABL, foi lembrada no plenário da Câmara.

Em sessão solene nesta sexta-feira (19) em comemoração ao centenário de nascimento de Rachel de Queiroz, o 1º vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), ressaltou que a escritora cearense transpôs para o papel reflexões profundas sobre os principais problemas humanos em obras de notável valor, como O Quinze, seu livro de estreia. Esse trabalho, conforme lembrou Maia, teve ampla repercussão no País e mereceu acolhida entusiástica da crítica.

"Ficaram todos vivamente surpresos e impressionados diante do novo talento surgido nas letras nacionais no ano de 1930 [quando foi lançado O Quinze]; talento, plena e definitivamente, confirmado nas obras seguintes, entre as quais: Caminho de Pedras, As Três Marias e Memorial de Maria Moura, além dos livros de crônicas A Donzela e a Moura Torta, O Brasileiro Perplexo e O Caçador de Tatu", listou. Maia disse que Rachel de Queiroz, falecida em 2003, escreveu sete romances, duas peças teatrais e cerca de duas mil crônicas.

Um dos autores do requerimento para realização da homenagem, o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE) informou que está programado para acontecer no próximo dia 24 a 4ª Literária Especial, no auditório do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza: "Esse evento será livre para que a população cearense, principalmente de Fortaleza, tenha acesso a toda a grande trajetória de Rachel de Queiroz", disse Matos.

Ele informou que o Instituto Moreira Salles agendou uma série de eventos comemorativos no Rio de Janeiro, onde vivem familiares da escritora. Entre eles, estão o lançamento do livro Mandacaru, inédito há 82 anos, e a exposição Rachel de Queiroz Centenário.

Academia
Raimundo Gomes de Matos destacou também que a escritora foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1977, e ocupou a cadeira 5. "O então presidente Jânio Quadros, em 1961, convidou Rachel para ocupar o posto de ministra da Educação, cargo que ela não aceitou porque se julgava apenas jornalista. Que lição de ética, em apenas uma frase!" disse.

Sertanejo
O deputado José Guimarães (PT-CE) disse que Rachel de Queiroz revelou ao Brasil, "de forma escancarada", o sofrimento do sertanejo diante das privações causadas pela seca. "Em uma região abandonada, sempre esquecida pelo poder central, a fome, a sede e a miséria castigavam famílias e dizimavam pessoas e animais, criando um cenário desolador que uma boa parte do Brasil sempre desconheceu", relatou.

Guimarães observou que o isolamento imposto aos nordestinos era uma opção política cruel e desumana, que impingiu ao povo da região centenas de anos de atraso no seu desenvolvimento. "A obra de Rachel de Queiroz acabou com a desfaçatez. Nascida em Fortaleza, foi na fazenda dos pais, em Quixadá, no sertão cearense, que ela cresceu e viu na sua porta, ainda criança, a marcha dramática de retirantes depauperados, famintos, mendigando comida. Tal experiência, certamente marcante, foi o mote da primeira obra da escritora", concluiu.

Reportagem - Oscar Telles
Edição – João Pitella Junior

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