Direitos Humanos

Parlamentares destacam militância de Joaquim Nabuco em sessão solene

09/11/2010 - 14:09  

Luiz Alves
Os parlamentares lembraram que Nabuco lutou pelo acesso dos escravos recém-libertados aos direitos básicos.

A Câmara realizou hoje sessão solene em homenagem ao jornalista, escritor, diplomata e deputado Joaquim Nabuco (1849-1910), como parte da programação relativa ao centenário da sua morte. Em seus discursos, a maioria dos parlamentares destacou que Nabuco, mais do que um político, foi um militante que lutou não só pelo fim da escravidão, mas também pelo acesso dos escravos recém-libertados a direitos básicos, como educação e emprego.

Para Maurício Rands (PT-PE), Joaquim Nabuco foi um reformador. "Ele percebeu que o Brasil seria incompleto enquanto os ex-escravos não fossem incluídos na vida nacional. Em todos os seus pronunciamentos na Câmara, na memorável jornada abolicionista, e no seu livro O Abolicionismo, de 1873, ele enfatizava esta questão: o que fazer depois da abolição da escravatura? Falava da importância de se desenvolver o trabalho livre no Brasil, da formação universal que a nação precisaria dar aos ex-escravos, aos artistas, como ele chamava, talvez querendo se referir aos que chamaríamos de artífices, aos trabalhadores manuais", disse Rands.

Reforma agrária
Joaquim Nabuco defendeu ainda a reforma agrária, pois era contrário ao sistema latifundiário predominante no Brasil. E era favorável à monarquia e ao Estado laico. "Na hora em que o País se dividiu entre monarquia e república, ele ficou do lado da monarquia, porque sabia que isso era irrelevante. O importante era a abolição da escravatura, era a reforma agrária, era escola igual para todos. Ele queria o substancial e não apenas o superficial que aparece nos jornais. Ele foi monarquista, como podia ser republicano, desde que houvesse a abolição da escravatura, desde que houvesse a alfabetização de todos", afirmou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Conheça um pouco mais sobre a obra de Joaquim Nabuco com o documentário da TV Câmara sobre o pensador.

Na opinião de Cristovam, Joaquim Nabuco é atual porque o Brasil ainda não completou a abolição nem alfabetizou todos os brasileiros. Para Rands, a atualidade de Nabuco decorre da "emancipação incompleta" do povo brasileiro. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) concordou, afirmando que Nabuco é uma fonte atual na política brasileira. "Nabuco identifica na escravidão a distância não percorrida da independência à constituição plena da nação", afirmou Jungmann.

Segundo o líder do PT, deputado Fernando Ferro (PE), Joaquim Nabuco deve ser inspiração para as mudanças necessárias - por exemplo, para a reforma agrária.

Participaram da sessão solene o neto de Joaquim Nabuco, José Thomaz Nabuco Filho, e a presidente da Fundação Gilberto Freyre, Sonia Freyre, representando a família do sociólogo que, em 1949, formulou requerimento para a criação do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais.

Ano Joaquim Nabuco
A programação integra o conjunto de iniciativas públicas e privadas que homenageiam o diplomata ao longo de 2010, instituído como Ano Nacional Joaquim Nabuco por lei de iniciativa do senador Marco Maciel (DEM-PE).

As atividades, organizadas pela Academia Brasileira de Letras, pela Fundação Joaquim Nabuco e pela Fundação Armando Álvares Penteado, começaram no mês passado, com uma exposição sobre a trajetória parlamentar do estadista. A mostra ficará aberta para visitação até domingo (14) no Salão Negro do Congresso.

Também foi lançado o livro Discursos parlamentares - Joaquim Nabuco. Ainda nesta terça-feira, às 16 horas, a TV Câmara vai lançar o documentário Diálogo com Joaquim Nabuco, dirigido por Marcya Reis. O vídeo faz um paralelo entre a história do intelectual e a do jovem negro Thiago, universitário nascido na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Reportagem - Noéli Nobre
Edição - Wilson Silveira

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