Direitos Humanos

Direitos Humanos quer Polícia Federal nas investigações em Luziânia

01/02/2010 - 18:33  

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias defende a entrada da Polícia Federal na investigação do desaparecimento de adolescentes em Luziânia, cidade goiana localizada no entorno de Brasília. Seis jovens com idades entre 13 e 19 anos desapareceram misteriosamente da cidade, desde o fim de dezembro. Outros dois casos são investigados em Alexânia, também em Goiás, mas a polícia do estado ainda não tem pistas concretas para a investigação.

Pela segunda semana consecutiva, representantes da Comissão de Direitos Humanos se reuniram com a família dos desaparecidos e com as autoridades que investigam o caso. Também participaram da reunião representantes do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, da Universidade de Brasília, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Segundo o assessor jurídico da comissão, Augustino Veit, que esteve em Luziânia, nesta segunda-feira, as famílias reclamam da falta de informação e pedem rapidez na solução do caso. Veit informou que o delegado responsável pelos inquéritos não explicou que tipo de linha de investigação está priorizando e quais são, efetivamente, as descobertas. “A grande queixa dos familiares é que a polícia não dá satisfação nenhuma. Eles não conseguem falar diretamente com os delegados responsáveis e estão desesperados. O delegado regional, que deveria nos receber, não estava presente na comarca, segundo informações dos agentes que estavam na delegacia. Está muito confusa a atuação da polícia", relatou.

O vice-presidente da comissão, deputado Pedro Wilson (PT-GO), já havia pensado em mobilizar a Polícia Federal desde a visita que fez a Luziânia, na semana passada. Segundo ele, a investigação não avança, apesar do compromisso e do empenho demonstrados pelas autoridades da Justiça e da segurança pública do estado. "As famílias estão bastante apreensivas, sem nenhuma informação. E, na nossa ida da semana passada, nós já apoiávamos a participação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, dada a gravidade [do fato], inclusive agora com o desaparecimento de mais uma adolescente [em Alexânia]. Nós sabemos que a polícia [goiana] está trabalhando, mas queremos avançar mais. Não basta dizer que está investigando, depois de passadas mais de duas semanas. É preciso uma ação firme da polícia goiana e, quem sabe, da Polícia Federal, porque os familiares e a comunidade de Luziânia estão bastante apreensivos."

A entrada da Polícia Federal no caso depende de um pedido formal do governo de Goiás. O deputado se queixa ainda da falta de uso das câmeras para monitoramento de segurança que já estão instaladas em pontos estratégicos de Luziânia e que poderiam ter ajudado na investigação, se estivessem em pleno funcionamento.

Campanha das famílias
Pedro Wilson também pretende realizar, nos próximos dias, uma audiência pública, na Câmara, com as famílias dos adolescentes desaparecidos em Luziânia. Por iniciativa própria, eles começaram a articular uma campanha regional, com a distribuição de cartazes, folhetos e fotografias, em busca de informações concretas sobre o paradeiro dos jovens.

Desde 30 dezembro, jovens com idades entre 13 e 19 anos desapareceram sem deixar pistas. Eles não se conheciam e foram vistos pela última vez na área do Parque Estrela Dalva, bairro próximo ao trevo de acesso à cidade.

Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição – Regina Céli Assumpção

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