Chile ainda adota modelo educacional de Pinochet

13/08/2007 - 16:16  

O pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) Simon Schwartzman afirmou há pouco que mesmo após 16 anos de governo da Concertación, coligação de socialistas e democratas cristãos, o Chile ainda adota o modelo educacional criado no final da década de 80 pelo ditador falecido Augusto Pinochet, com pequenas alterações.

Esse modelo é baseado no sistema de voucher, pelo qual o governo libera o dinheiro individualmente para o aluno, que escolhe a escola privada em que deseja estudar. Atualmente, cerca de 50% das escolas chilenas de nível fundamental e médio são municipais, e entre 30% e 40% são privadas e subsidiadas. O pequeno grupo restante é formado por escolas pagas e corporativas.

Simon Schwartzman participa do painel "A reforma educativa do Chile: novos e velhos desafios", no seminário internacional "Educação no século 21: modelos de sucesso", promovido pela Comissão de Educação e Cultura.

Mais investimentos
Segundo o expositor, com as mudanças promovidas pelo governo da Concertación, houve aumento de investimentos em educação e aumento do tempo de permanência dos alunos nas escolas, que hoje é de seis horas. Com isso, o Chile conseguiu atingir a universalização dos ensinos nos níveis fundamental e médio.

Apesar disso, os estudantes do país foram muito mal avaliados no Programa Internacional de Avaliação Comparada (Pisa, na sigla em inglês), o que levou a uma crise no sistema e à exigência de reformulação. Entre as principais demandas está a maior participação do setor público, com a renacionalização das escolas e a eliminação dos subsídios, e maiores benefícios para os estudantes.

O seminário continua no auditório Nereu Ramos.

Reportagem - Maria Neves
Edição - Renata Tôrres

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