06/06/2023 19:52 - Saúde
Radioagência
Câmara discute a universalização do teste do pezinho
SESSÃO SOLENE NA CÂMARA DISCUTE O TESTE DO PEZINHO. ESPECIALISTAS PEDEM A IMPLEMENTAÇÃO DO TESTE EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL E DESTACAM A IMPORTÂNCIA DESSA FORMA DE PREVENÇÃO. CONFIRA OS DETALHES NA REPORTAGEM DE KARLA ALESSANDRA.
A Câmara realizou (6/6) sessão solene para marcar o dia nacional do teste do pezinho, lembrado em 6 de junho.
Teste do Pezinho é o nome popular dado à coleta de sangue no calcanhar dos recém-nascidos para a identificação precoce de doenças metabólicas, genéticas e infecciosas que, quando tratadas precocemente, possibilitam o desenvolvimento físico e mental adequado das crianças.
A data, criada em 2007, tem por objetivo informar à população sobre o programa nacional de triagem neonatal e a importância de realizar o teste em todos os recém- nascidos entre o terceiro e o quinto dia de vida.
Desde maio de 2021 uma lei (14.159/21) ampliou o teste, para detectar mais de 50 tipos de doenças.
Para a deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), autora do requerimento para a realização da sessão solene, é preciso agora garantir o acesso ao teste para todos os recém-nascidos, uma vez que o atraso no diagnóstico pode levar à morte de crianças por doenças que são tratáveis.
“O objetivo da sessão solene é disseminar informações, é conscientizar famílias e dizer: nós estamos com você nessa luta! É seu direito saber da saúde do seu filho”.
O representante da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, afirmou que o teste do pezinho faz parte do programa nacional de saúde e precisa ser implementado em todo o país.
“A grande desigualdade que há no país quando se fala de regiões de estados ricos onde todo este programa funciona, não só com cobertura, mas com capacidade de atendimento adequado. E uma grande iniquidade, uma grande desproporção em estados e municípios onde os exames não são colhidos, os laboratórios não estão preparados, os kits para a realização dos testes não chegam, a entrega não é em tempo adequado, as crianças perdem a janela de oportunidade de tratamento e as sequelas se instalam trazendo consequências justamente para os estados que têm menos condições de lidar com essas crianças e consequentemente aumentando mais ainda a desigualdade nesse país”.
O representante do Instituto Jô Clemente, Michel Brull, destacou que a estimativa é de que existem atualmente no Brasil 13 milhões de pessoas com doenças raras que se não forem diagnosticadas a tempo representam um custo quatro vezes maior para o Sistema de Saúde, com grande chance de óbito precoce.
A fundadora da Casa Hunter, que acolhe pacientes de doenças raras e suas famílias, Andréia Bessa, afirmou que o teste é a porta de entrada para que essas pessoas tenham acesso às políticas públicas que vão garantir a qualidade de vida.
“Nós temos desafios e um deles é a estruturação das linhas de cuidado. Como que nós vamos estruturar após diagnóstico? Como que nós vamos fazer a estruturação das linhas de cuidado? Como que nós vamos reduzir a jornada desse paciente? E lembrar que a implementação de políticas públicas é redução de gastos, não é aumento de gastos”.
A neuropediatra Fernanda Monte destacou que não se trata só de um teste, mas de algo que muda a vida das pessoas, já que as doenças detectadas vão aparecer em algum momento, comprometendo a vida desses pacientes.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Karla Alessandra.








