30/05/2023 20:48 - Política
Radioagência
Ex-integrantes do MST deixam audiência antes de questionamentos do PT
EX-INTEGRANTES DO MST DEIXAM AUDIÊNCIA ANTES DE QUESTIONAMENTOS DO PT. A REPORTER KARLA ALESSANDRA ACOMPANHOU.
A comissão parlamentar de Inquérito que avalia irregularidades do Movimento dos Trabalhadores sem Terra se reuniu em audiência pública para ouvir ex-integrantes do movimento.
Nelcilene Reis, que morou em um acampamento do MST de 2016 a 2019, afirmou que as famílias que viviam no local eram usadas como massa de manobra pelo movimento. Ela disse ainda que os acampados trabalhavam para o MST sem remuneração e ainda eram punidos caso não obedecessem as normas do acampamento.
“Quando a gente não fazia o que era determinado, a gente era expulso e se a gente resistisse, muitas vezes – não aconteceu comigo, mas eu presenciei a pessoa estar embaixo do barraco e eles derrubavam, a pessoa estava embaixo e tinha que sair”.
Neuciliene afirmou que se desligou do MST por causa de divergências com a organização do acampamento, sendo então ameaçada de morte, só tendo sobrevivido porque a polícia chegou a tempo de defender a ela e sua família.
O deputado Kim Kataguiri (União-SP) afirmou que a CPI precisa ouvir os dirigentes do acampamento, que como foi descrito, representava um estado paralelo com leis próprias, sem a atuação do poder público.
“Nós já temos aqui o indício de organização criminosa ou associação criminosa, um dos dois tipos penais, trabalho análogo à escravidão, extorsão, ameaça”.
Já a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou a atuação da presidência da CPI que sugeriu que os convidados se ausentassem no meio da audiência, justamente quando os deputados do PT iniciaram suas perguntas.
“Então foi muito triste o que nós vimos aqui. Vocês quiseram tirar as testemunhas - que não são testemunhas, são convidados – na hora em que nós iriámos fazer as perguntas e na hora que iriam aparecer as contradições porque os senhores querem apenas a versão dos senhores, os senhores não estão querendo investigar. Os senhores já estão determinados a criminalizar o movimento, a criminalizar a reforma agrária é a isso que os senhores estão determinados. Então aqui tem um jogo e é muito triste esse jogo, um jogo que é agressivo e que não vai colaborar em nada para o Brasil”.
Gleisi Hoffmann pediu que a audiência pública fosse anulada, porque a ex-integrante do MST não prestou juramento de dizer a verdade e acusou terceiros de crimes sem apresentar provas.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Karla Alessandra.








