17/05/2023 17:56 - Saúde
Radioagência
Teste do bracinho pode ser obrigatório em crianças a partir dos 3 anos
DEPUTADOS APROVAM TESTE DO BRACINHO OBRIGATÓRIO EM CRIANÇAS A PARTIR DOS 3 ANOS. A REPÓRTER PAULA BITTAR ACOMPANHOU A VOTAÇÃO.
Uma proposta aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara torna obrigatória a aferição da pressão arterial – o chamado teste do bracinho – nas consultas pediátricas em crianças a partir de 3 anos de idade (PL 4274/20).
O relator do projeto, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), afirma que o objetivo é garantir o diagnóstico precoce.
“Na prática já é feito pelos pediatras nas crianças acima de três anos, o que ocorre, o relato de vários pais, é que às vezes o próprio profissional, o médico, na correria, no grande número de atendimentos, ele pode vir a esquecer de realizar esse exame. O exame é fundamental porque uma vez feita essa aferição, o teste do bracinho, vai permitir também o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares e outras doenças também.”
A importância de um diagnóstico e intervenção precoces também é ressaltada pela nefrologista pediátrica Maria Vitória Carmo Penhavel. Segundo ela, a hipertensão contribui para o envelhecimento vascular e a doença cardiovascular, causa importante de mortalidade entre adultos. Fazer o diagnóstico precoce, além de permitir o acompanhamento médico desde cedo, pode ajudar a revelar enfermidades que ainda não manifestaram outros sintomas mas que provocam pressão alta, como doenças nos rins, no coração, nos vasos, na tireóide, além de alguns tumores e doenças genéticas.
A especialista destaca a importância da aferição da pressão e explica consequências da pressão alta.
"É muito importante lembrar que, nos estágios iniciais, a hipertensão é assintomática e, dependendo da duração da hipertensão e da sua gravidade, pode-se causar lesões em órgãos, que são os órgãos acometidos pela hipertensão. O coração, a gente tem um aumento da espessura da parede do coração, os vasos do sangue, o rim, contribui, então, para a doença renal crônica, os olhos, podemos ter alteração na retina que pode levar à redução da visão ou até à cegueira e também alterações em vasos cerebrais, e aí inclui o aumento de risco do AVC.”
O tratamento, segundo Maria Vitória Carmo Penhavel, é medicamentoso, mas em alguns casos pode se tentar um tratamento não medicamentoso inicialmente. A nefrologista pediátrica explica quais crianças normalmente são mais acometidas pela pressão alta:
“Existem crianças que são mais suscetíveis à pressão alta, na verdade são crianças em que o diagnóstico de pressão alta é mais frequente, que são aquelas que têm obesidade, que têm algum distúrbio de respiração relacionado ao sono, por exemplo um aumento das adenóides e das amígdalas, também crianças prematuras e aquelas que nasceram com menos de 2,5kg.”
O projeto que torna obrigatória a aferição da pressão arterial nas consultas pediátricas em crianças a partir de 3 anos de idade poderá seguir ao Senado, a menos que haja recurso para análise, antes, pelo Plenário.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Paula Bittar.








