05/04/2021 16:25 - Direitos Humanos
Radioagência
Preconceito contra idosos aumenta na pandemia
A pandemia do coronavírus acentuou a discriminação contra os idosos, em aspectos como a ocupação dos leitos hospitalares. Em debate na Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara (nesta segunda, 5) sobre o chamado “ageísmo” ou “idadismo”, especialistas apontaram preconceito também no mercado de trabalho, na preparação dos estudantes de Medicina para atender aos pacientes mais velhos e na falta de investimentos nas Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs), entre outros aspectos.
A discriminação, segundo eles, é institucional e estrutural. Cria estereótipos de fragilidade e improdutividade, sem levar em conta a heterogeneidade da parcela da população com idade mais avançada. Os debatedores concordam que o Estatuto do Idoso (lei 10.741/2003) é uma ferramenta importante contra o idadismo.
O Secretário Nacional de Promoção e Defesa dos direitos da Pessoa Idosa, Antonio Costa, salienta que desde 2016 a Organização Mundial da saúde (OMS) chama atenção para esses preconceitos. Segundo ele, os dados do Disque 100 mostram um aumento da violência psicológica contra os idosos entre 2019 e 2020. A discriminação foi agravada pela pandemia de Covid-19.
“Falas preocupantes para priorizar, por exemplo, os jovens no tratamento em detrimento dos idosos, seja nas UTIs, seja nos tratamentos preparatórios da Covid. Então isso é um tipo de ageísmo que tem se colocado aí na mídia com bastante frequência, como se os idosos fossem culpados dessa pandemia que nós estamos vivendo no nosso mundo, não só também no nosso Brasil. ”
A economista Ana Amelia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), atesta discriminação contra os mais velhos no mercado de trabalho, já que quem tem mais de 50 anos passa por dificuldades de recolocação. Na pandemia, ela também identificou ageísmo quando se fala em desemprego e redução da força de trabalho.
“Do último trimestre de 2019 ao último trimestre de 2020, 800 mil idosos foram demitidos, estão desocupados, mas continuam procurando trabalho; e 800 mil estão desocupados, mas não estão procurando trabalho. ”
Deputado que propôs a discussão, Denis Bezerra (PSB-CE), ressalta as falas dos debatedores sobre outro aspecto: a infantilização do idoso, tratado como “vôzinho” e outras expressões semelhantes.
“Esses diminutivos que, muitas vezes, nós utilizamos de maneira geral, sem ter a consciência, nós estamos fazendo uma forma de idadismo, uma forma de preconceito principalmente pela questão etária. ”
O geriatra Alexandre Kalache, diretor do Centro Internacional da Longevidade, acrescenta que a crise sanitária fez as desigualdades sociais serem evidenciadas. Os idosos foram rotulados desde o início como grupo de risco, o que reforçou a discriminação.
“Assim como não basta não ser racista, há que ser antirracista; assim como não basta não ser sexista, há que ser antissexista, ativista, não tolerar nenhuma forma de discriminação; não basta não ser idadista, é preciso ser antiidadista, ativista e denunciar a cada momento que você se confronte com essa discriminação, gritar, gritar alto. ”
Durante a audiência pública, também foi discutida a instituição de um Dia Nacional de Combate ao Idadismo. A sugestão dos participantes é que se adote a data de 15 de junho, que, desde 1999, é o Dia Internacional de conscientização sobre a violência contra os idosos.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Cláudio Ferreira.








