17/02/2021 19:27 - Direitos Humanos
Radioagência
Revisão do programa nacional de direitos humanos divide deputados
Mais de 2oo organizações se manifestaram, através de nota pública, pedindo a revogação da portaria do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que cria um grupo de trabalho para alterar o Programa Nacional de Direitos Humanos, o PNDH 3.
Segundo as entidades, a participação da sociedade civil, que é um dos pilares da democracia, não está sendo respeitada pela portaria 457 (10-02-2021) uma vez que só integrantes do governo foram convidados a reformulação do programa.
Para suspender a portaria, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) deu entrada num projeto de decreto legislativo (PDL16-21). Segundo a deputada, a iniciativa do ministério fere o princípio constitucional da participação popular, que foi um dos pilares da construção do Programa Nacional de Direitos Humanos, em 2009.
¨Porque a portaria ataca frontalmente a democracia e o método pelo qual a política de direitos humanos foi constituída no Brasil. A política nacional de direitos humanos constante do programa nacional foi construída ao longo de muitos governos, entre o governo Sarney, Fernando Henrique, Lula, Dilma, ou seja, nós sempre tivemos os direitos humanos como algo acima da política¨.
Para a deputada Alê Silva (PSL-MG), a revisão do Programa Nacional de Direitos Humanos tem justamente o objetivo de adequar as diretrizes previstas sobre o tema ao que determina a legislação brasileira.
¨É o respeito ao ser humano, é buscar essa igualdade sem distinção, sem separar as pessoas e é claro, que na medida do possível, no que há necessidade, essas denúncias estão e vão se analisadas. Mas, volto a dizer, dentro do que a nossa legislação permite. E nossos usos e costumes que são de origem judaico-cristã e até hoje na grande maioria prevalece, deve ser respeitado¨.
Os Programas Nacionais de Direitos Humanos (PNDH) são uma orientação da Convenção de Viena (1993), e o Brasil foi um dos primeiros países a promover esta formulação, apresentando seu primeiro programa em 1996.
O Programa atual foi resultado de muita discussão com toda a sociedade em 137 encontros prévios às etapas estaduais, denominados Conferências Livres, Regionais, Territoriais, Municipais ou Pré-Conferências, das quais participaram ativamente cerca de 14 mil pessoas, reunindo membros do poder público e representantes dos movimentos de mulheres, defensores dos direitos da criança e do adolescente, pessoas com deficiência, negros e quilombolas, militantes LGBTI, pessoas idosas, ambientalistas, sem-terra, sem-teto, indígenas, comunidades de terreiro, povos ciganos e populações ribeirinhas, entre outros.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Karla Alessandra.








