22/12/2020 19:00 - Política
Radioagência
Prisão de Crivella repercute na Câmara
A prisão do prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella repercutiu na última sessão do ano no Plenário da Câmara dos Deputados. A Justiça fluminense determinou o afastamento de Crivella de todas as funções públicas sob a acusação de que o prefeito era chefe de organização criminosa responsável por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva na gestão municipal. O Ministério Público identificou o que chama de “QG da Propina”, que teria arrecadado cerca de R$ 50 milhões na prefeitura carioca. Além de Crivella, outras cinco pessoas foram presas, inclusive o ex-tesoureiro de sua campanha eleitoral. O prefeito se disse vítima de “perseguição política” e esse também foi o principal argumento de parlamentares que o defenderam no Plenário da Câmara, como o deputado paranaense Aroldo Martins (Republicanos-PR), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e vice-líder do Republicanos, mesmo partido de Crivella.
“Todos nós sabemos que a prisão do prefeito Marcelo Crivella é resultado de delações, como forma de condenar alguém porque, aqui no Brasil, se é condenado sem ser julgado e preso sem que haja a razão para que essa prisão seja decretada, a não ser pelo fato de o Ministério Público estar totalmente politizado. Está se judicializando a política. ”
Vice-líder do PSC, o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), do Rio de Janeiro, também criticou o Ministério Público.
“O Rio de Janeiro acordou com o espetáculo narcisista do Ministério Público. Crivella tem endereço fixo conhecido pela Justiça e, portanto, não oferecia risco de fuga. Não houve governo que mais denunciou a corrupção na política carioca do que o governo Crivella. Mas o que parece é que o alvo não é o governo Crivella: o alvo é a Universal. Isso é ou não é discriminação religiosa?”
Já o vice-líder do governo deputado Luiz Lima (PSL-RJ) afirmou que a prisão de Marcelo Crivella já era esperada. Lima disputou a eleição municipal deste ano e se queixou do apoio do presidente Jair Bolsonaro à reeleição de Crivella.
“Foi preso hoje o pior prefeito da história do Rio de Janeiro, aquele que deixou uma cidade arrasada. A gente nunca viu a cidade do Rio de Janeiro tão destratada. O prefeito Crivella, além de mau gestor, é corrupto, é chefe de quadrilha: liderou um mecanismo de corrupção, uma verdadeira holding. Como pode o presidente Bolsonaro compactuar com seus filhos que se filiaram ao Republicanos, um partido que mistura religião com política e que, no final, vai dar errado? Marcelo Crivella, agora os seus guardiões são os agentes penitenciários. ”
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também opinou sobre a prisão de Marcelo Crivella.
“Eu acho que é uma questão abusiva. O prefeito tem endereço fixo e poderia continuar sendo investigado mesmo sem a prisão. É mais uma prisão que vem ao encontro de criminalizar a política e antecipar condenações e pré-julgamentos em relação aos políticos. Neste caso, em relação ao prefeito Crivella, que foi nosso adversário político, mas, nem por isso, vou deixar de defender aquilo que entendo ser correto no Estado Democrático de Direito do nosso país e no respeito às leis, que também precisam defender o cidadão. ”.
O mandato de Crivella se encerra em 31 de dezembro. O cargo será ocupado pela presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe, já que o vice-prefeito Fernando Mac Dowell morreu em 2018.
Da Rádio Câmara, de Brasília, José Carlos Oliveira








