21/08/2020 15:06 - Economia
Radioagência
Securitização de créditos tributários pode voltar à pauta da Câmara
No início do mês, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em encontro virtual promovido pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, disse que é favorável à votação do projeto de lei complementar (PLP 459/17) que possibilita a venda da dívida tributária parcelada da União, estados e municípios. A associação estima essa antecipação de receita em R$ 75 bilhões. Parte do dinheiro tem que ser destinado a investimentos.
Na prática, o texto permite que terceiros cobrem os débitos pelos entes federados, comprando a dívida com desconto. Maia lembrou que a medida tem apoio entre governadores, mas enfrenta resistências de algumas autoridades públicas da área de arrecadação e controle. A associação Auditoria Cidadã da Dívida é contrária ao projeto e afirma que ele resulta em perda de autonomia para União, estados e municípios.
É o que pensa também o deputado Paulo Ramos (PDT-RJ):
“É mais uma manobra, mais uma maracutaia para atender a interesses de banqueiros. Aqui no estado do Rio de Janeiro tentaram fazer isso. Como deputado estadual, consegui impedir. Mais de R$ 1 bilhão para entregar aos banqueiros por aproximadamente R$ 100 milhões. É preciso que os estados, municípios e a União desenvolvam os seus mecanismos para a cobrança. Entender que há créditos ou dívidas irrecuperáveis ou de difícil recuperação, transferindo para a administração dos bancos a cobrança, significa a falência do Estado”.
O deputado Ivan Valente (Psol-SP) também destacou o tamanho dos deságios:
“Trata-se de uma entrega à iniciativa privada de créditos estatais a preços muito baixos, uma verdadeira liquidação, Black Friday. Então a posição do Psol e de vários partidos de oposição é de ser contra. Mas há pressão de governadores que querem antecipar receita de recebíveis. O que acontece é que aqui há uma perda mesmo”.
Já o deputado Alexandre Leite (DEM-SP), relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça, explica que, diante da situação atual de crise fiscal agravada pela pandemia, a medida traz um fôlego para as finanças públicas:
“Ter fôlego financeiro à vista com a venda de dívidas que levariam anos para serem pagas, negociando o menor deságio possível. São títulos consolidados parados que passam a circular no mercado, injetando dinheiro nos cofres públicos”.
O deputado General Peternelli (PSL-SP) ressalta que tudo será fiscalizado pelos órgãos de controle:
“Esse processo deve obedecer a um procedimento legal e contar com o aval do Ministério Público, dos procuradores da Fazenda e dos órgãos interessados. E cumprir os princípios constitucionais de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.
O texto proíbe a venda de parte dos créditos da União que têm que ser distribuídos com estados e municípios, assim como os estados não podem vender o total de 25% do ICMS que precisam repassar para os municípios.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Sílvia Mugnatto








