25/05/2020 16:00 - Economia
Radioagência
Execução de gastos com saúde para a pandemia ainda é baixo
Até o dia 22 de maio, dos R$ 35 bilhões autorizados para gastos com saúde no combate à pandemia do coronavírus, apenas 24% haviam sido pagos pelo governo federal. A média dos demais gastos com a pandemia tem uma execução superior a 40%. A informação foi repassada pelo Instituto Fiscal Independente do Senado aos parlamentares da comissão do Congresso que acompanha as medidas econômicas relativas à pandemia. Para o diretor-executivo do IFI, Felipe Salto, falta uma ação coordenada do governo:
“Está faltando um comitê central da crise. O que falta é uma questão de comando e controle. Neste momento de guerra, você tem que ter um verdadeiro bunker para conseguir controlar as informações, receber os diagnósticos adequados de cada um dos municípios, de cada um dos estados e isso requer um trabalho de 24 horas por dia. Para corrigir rotas, inclusive, quando for o caso. ”
E citou a construção de hospitais de campanha em parceria com a iniciativa privada:
“Se a gente imaginar um custo paciente-dia de R$ 2 mil; 30 mil leitos de UTIs por três meses custariam pouco mais de R$ 5 bilhões. O que é muito pouco dinheiro perto de todos os recursos que estão sendo destinados. ”
Felipe afirmou ainda que é necessária uma campanha de cuidados sanitários mais eficiente junto à população. Citando especialistas, ele explicou que o país já perdeu o momento de fazer um isolamento mais duro para tentar reduzir a curva de contágios de forma mais rápida, o que teria menos impactos na economia.
Para o diretor do IFI, o governo também falha ao não mostrar um “norte” claro sobre as regras fiscais que deverão valer no pós-crise sanitária. Felipe Salto contou que alguns economistas conservadores têm defendido até bandeiras de esquerda como a taxação de grandes fortunas.
O deputado General Peternelli (PSL-SP) disse que o governo está fazendo a coordenação da crise em parceria com estados e municípios:
“Nós tivemos na sexta-feira, aqui na comissão, informados pelo general Braga Netto do gabinete de crise, que diariamente o CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o CONASEMS (Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde) fazem reunião para poder agilizar esse gasto, em especial na saúde. ”
A Instituição Fiscal Independente do Senado estima que a dívida pública vai atingir 86,6% do PIB até o final do ano, mas que ainda não há risco de o governo ter dificuldade para rolar os títulos públicos, dado o nível do caixa do Tesouro Nacional e das reservas em dólar. A estimativa é a de que essa dívida passe a ter vencimentos mais curtos e que passe de 100% até 2030, que é quando o governo voltaria a apresentar economia de receitas para pagar suas despesas correntes. Para este ano, é esperada uma queda de 5,2% do PIB, que é o quanto o país produz em um ano.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, volta a comissão na próxima quinta para fazer um balanço do que já foi feito até agora.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Sílvia Mugnatto








