04/12/2019 16:38 - Agropecuária
Radioagência
Comissão discute abate e comercialização de pele de jumento
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável realizou audiência pública (em 03/12) para discutir o abate e a comercialização de pele de jumento. De acordo com o Ministério da Agricultura, apenas seis frigoríficos possuem autorização para realizar abates no país. Três deles ficam na Bahia. Na audiência, Lúcia Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção ao Animal, disse que, após uma denúncia de maus tratos, a prática foi suspensa no estado por decisão judicial.
“Com os animais em situações, realmente, cruéis, sem água e sem comida, em condições sanitárias péssimas, tendo risco não só do sofrimento e da crueldade com os animais, mas risco à saúde das pessoas também, principalmente, pelo aparecimento de doenças de caráter zoonótico, que estão comprovadas com exames sanitários e fazem com que seja necessário que essa proibição venha e novas políticas sejam pensadas”.
Atualmente, o abate está autorizado, novamente, por decisão da Advocacia Geral da União. A carne e o couro do jumento são vendidos para vários países asiáticos. A pele é usada para a fabricação de cosméticos e para fins medicinais. Rui Leal, representante da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, disse que esse mercado está em expansão, desde 2016, após acordo comercial entre Brasil e China.
“A regulamentação, ela existe, a gente está trabalhando dentro da legalidade, conforme legislação federal, o abate é legal e precisamos determinar regras e procedimentos, para que casos isolados em três propriedades na Bahia não coíbam a prática”.
O deputado Célio Studart, do PV do Ceará, que solicitou a realização da audiência, explicou que o abate foi permitido no país após aumento no abandono de jumentos, que eram utilizados como transporte e para trabalho no campo. Com o desenvolvimento econômico da região Nordeste, o deputado explicou que o jumento foi trocado por motocicletas. Com mercado no exterior, o abate do animal virou a solução. Mas o parlamentar é contra a exploração desse mercado.
“Temos esse dever de não deixar essa questão mal resolvida para que não ocorra mais o que tem ocorrido, como na Bahia ou em outros locais do país, maus tratos aos jumentos, aos animais, por uma falta de regulamentação ou por falta de observação em respeito às leis de proteção animal”.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, em 2016, quando os abates começaram, foram exportadas 50 mil toneladas de carne e pele de jumento. Em 2018, o número saltou para 220 mil toneladas.
Da Rádio Câmara, de Brasília, com informações de Frederico Sokolowski, Paula Bittar.








