29/05/2019 00:07 - Saúde
Radioagência
Pobreza e baixo índice de vacinação são apontados como causas da tuberculose infantil
Foi há apenas 20 anos que se começou a dar mais importância à tuberculose entre as crianças. Antes, o foco era apenas nos adultos. Na audiência pública da Comissão de Seguridade Social que tratou do assunto, especialistas relataram os problemas para detectar e tratar a doença. 71% dos casos suspeitos não confirmados são de pessoas com menos de 14 anos. Denise Arakaki, coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, ressaltou as dificuldades nesta faixa etária:
"A criança, ela manda sinais de que está com tuberculose que poderiam servir para qualquer outra doença. É a criança que está comendo mal, é a criança que não está ganhando peso, é aquela criança irritadiça, é aquela criança indisposta e que às vezes até a família demora pra perceber que aquela criança tem alguma coisa errada, principalmente num ambiente onde os pais têm várias crianças e não conseguem sequer olhar individualmente para cada uma delas"
Além da representante do Ministério da Saúde, outros debatedores enfatizaram a conexão entre a incidência da tuberculose e as condições socioeconômicas da população. Márcia Leão, advogada da Parceria Brasileira Contra a Tuberculose, lamentou a falta de políticas públicas específicas, para que se aborde a doença para além dos determinantes biomédicos. Ela diz que a pobreza afeta até a adesão aos medicamentos:
"É muito difícil não ter comida, não ter moradia, não ter dinheiro para o transporte e ainda por cima ver o seu familiar, o seu amigo, o seu sobrinho, o seu neto chorando, dizendo que não quer tomar o tratamento."
Clemax Santana, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, listou os desafios para o combate da tuberculose entre as crianças: novos medicamentos e testes diagnósticos, capacitação de pessoal, estudos genéticos e novas vacinas. Para o deputado Chico d´Angelo, do PDT do Rio de Janeiro, membro titular da Comissão de Seguridade Social, é preciso que as suspeitas da doença nas faixas etárias mais jovens sejam investigadas com mais rigor:
"É muito importante que, nestes casos, o Saúde da Família faça a busca ativa na casa, pra pesquisar na criança em que a residência tem um adulto com tuberculose, para que se chegue a um diagnóstico mais precoce da doença.”
Denise Arakaki, do Ministério da Saúde, informou que, desde 2016, está diminuindo a cobertura vacinal da BCG, que previne contra a tuberculose. O índice recomendado é de 95% do público-alvo, mas os números repassados pelos estados variam de 95 a 60%, que é o caso da Bahia. A coordenadora do Programa Nacional de Controle da Tuberculose disse que, apesar dos riscos da doença, há um movimento global contra a vacinação de crianças, o que pode ter afetado a cobertura vacinal da BCG no país.








