23/04/2019 22:09 - Economia
Radioagência
Depoimento de ex-presidente do BNDES frustra integrantes de CPI
O depoimento do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Paulo Rabello de Castro frustrou os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga possíveis ilícitos nas operações financeiras do banco estatal. Paulo Rabello, que presidiu o banco entre junho de 2017 e março de 2018, afirmou que duas comissões de apuração internas foram feitas no banco estatal sobre possíveis irregularidades nas operações de crédito internacionais com as empresas JBS e Odebrecht. Segundo ele, os resultados foram encaminhados à Polícia Federal e ao TCU.
No entanto, ele disse que não entrou no BNDES para apurar ilícitos, e sim para fazer funcionar a estatal financeira:
"Devo ter frustrado alguns parlamentares por não ter tido a oportunidade de trazer, eu mesmo, aqui uma ficha corrida manchada de um funcionário. Estão querendo que eu, além de depoente convidado, que sou uma pessoa que estou aqui exatamente porque presidi ao banco após os fatos que estão sendo investigados e, portanto, nada a ver com o fato em si, frustrantemente para os senhores parlamentares, não tive eu mesmo o acesso a nenhuma a denúncia interna, a algo que merecesse ser apontado, nem aqui nem antes."
A CPI apura possíveis favorecimentos a empresas nacionais no período dos governos petistas, de 2003 a 2015, que teria interesse em criar empresas como campeãs mundiais em seu setor de atuação.
O presidente da CPI, deputado Vanderlei Macris, do PSDB de São Paulo, está convicto das ilicitudes ocorridas no BNDES:
"No Tribunal de Contas da União, nós já temos informação de que os campões mundiais foram também os grandes campeões de corrupção nesse país. E não há como dissociar esses movimentos. Até pelas delações premiadas que já foram feitas e confirmadas da participação desses contratos internacionais em atos de corrupção, que estão sendo requisitadas para a CPI também. Ou seja, nós teremos um cabedal de informações pra poder dar seguimento e colocar CPF nessas responsabilidades."
Paulo Rabello de Castro chegou a sugerir que a CPI tinha o objetivo de desconstruir o banco. O relator da CPI, deputado Altineu Côrtes, do PR do Rio do Janeiro, rebateu essas acusações:
"Nós estamos aqui para construir um BNDES que seja um Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social pra todos, e não para grandes empresários que fizeram fortuna de bilhões de reais, possivelmente sendo favorecidos pelo banco. Nós queremos pegar aqui, se houve, e eu acredito que nos levantamentos e nas denúncias que nos chegam, que aconteceram atos, sim, ilícitos, mas a gente está aqui pra investigar isso. Pelo contrário, o BNDES tem que sair fortalecido depois da CPI."
A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social vai ouvir todos os ex-presidentes do banco no período investigado, entre 2003 e 2015, e alguns diretores das áreas envolvidas.








