23/04/2019 22:07 - Direitos Humanos
Radioagência
Plataforma virtual vai atender vítimas de violência doméstica
Aos 19 anos Bárbara Penna teve o corpo queimado enquanto dormia, e ao acordar e pedir socorro, foi jogada do terceiro andar pelo ex-companheiro. O ano era 2013, mas até hoje o agressor não foi julgado e Bárbara continua sofrendo ameaças por parte da família dele.
Hoje, aos 25 anos, ela coordena uma ONG que tem o seu nome e que atende mulheres em situação de risco. Mas, Bárbara reclama de não poder fazer um trabalho melhor porque falta compromisso e apoio por parte dos representantes do poder público.
"O Instituto não está criado da forma como eu queria porque eu percebo que muitos parlamentares dão as costas para esse assunto. E eu estou praticamente há quatro, cinco anos pós tragédia participando de palestras, participando de reuniões, participando de encontros com inúmeros deputados, com pessoas famosas, pessoas que têm o poder na mão. Poder o qual eu não tenho e eu percebo que quanto mais o tempo passa, mais fica só na conversa."
A presidente da ONG Artemis, Raquel Marques, afirmou que não dá resultado discutir apenas o feminicídio, porque ele é o fim de uma cadeia de violência. É preciso que as pequenas agressões como ameaças e ofensas sejam consideradas como tal para que o crescente da violência não chegue até a morte de uma mulher.
Raquel Marques alertou para o perigo de desmontar estruturas sociais de apoio para as vítimas de violência.
"A pessoa que passou por um processo de violência doméstica ela está destruída, sua subjetividade está destruída, a sua identidade, a sua estrutura a sua confiança no mundo, às vezes você não consegue realizar nem as coisas mais básicas. Você fala: nossa precisa de ajuda para tirar um RG? Às vezes precisa. E é no SUAS onde a gente consegue isso. Então não dá para falar em Estado mínimo, não dá para falar em contenção de gastos, não dá para falar em contar da Assistência Social se nós queremos falar em erradicar a violência contra a mulher."
Para a deputada Flávia Arruda, do PR do Distrito Federal, a audiência pública da comissão externa de combate à violência doméstica vai servir de base para os trabalhos dos parlamentares.
"Na hora que você coloca na mesma mesa, no mesmo debate, seguimentos diferentes, experiências diferentes e traz à tona as dificuldades, o que deve melhorar e também compartilhar boas experiências que tem sido vivenciadas em todo o país isso enriquece o nosso diálogo e enriquece para nós também como parlamentares como agente deve atuar daqui para frente."
De acordo com os Relógios da Violência, desenvolvidos pelo Instituto Maria da Penha, uma mulher é vítima de violência física ou verbal a cada 2 segundos no Brasil. A maior parte dos casos é reincidência.
Para ajudar as mulheres vítimas de violência a conseguirem atendimento sem perderem o anonimato, foi desenvolvida uma plataforma virtual. A idealizadora do projeto Glória foi a professora da Universidade de Brasília, Cristina Castro-Lucas. Ela destacou que a ideia é garantir o acesso a informações ao maior número de mulheres possível.
"Eu sempre atuei em projetos sociais para a inserção de mulheres, para reinserção no mercado de trabalho, para ajudar a entender a vulnerabilidade e a a violência. Mas, uma coisa me incomodava muito eu conseguia trabalhar com 500, com 1500 mas eu achava sempre um número pequeno porque quantos habitantes temos no mundo e quantos deles são mulheres?"
Além disso, o sistema também vai servir para coleta de dados que poderão ser acessados para a confecção de políticas públicas voltadas para o combate da violência contra mulheres.
Em 2017 foram registradas 221.238 denúncias de violência doméstica e mortes consideradas feminicídio somaram 1.133 casos.








