21/03/2019 17:45 - Política
Radioagência
Prisão do ex-presidente Michel Temer repercute na Câmara
A prisão do ex-presidente Michel Temer na manhã desta quinta-feira repercutiu na Câmara. O ex-ministro de Minas e Energia e da Secretaria-Geral da Presidência de Temer, Moreira Franco, também foi preso.
Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, responsável pela Lava Jato no Rio, que considerou o ex-presidente um líder de organização criminosa.
A prisão de Temer é preventiva e tem como base uma delação de José Antunes Sobrinho, dono da Engevix, em que ele diz ter pago um milhão de reais em propina a pedido do coronel João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do ex-presidente. A empreiteira fechou um contrato em um projeto da usina de Angra 3.
Deputados foram ao Salão Verde da Câmara comentar o caso e também ocuparam as tribunas do plenário.
O líder da oposição, deputado Alessandro Molon, acredita que a prisão foi justa, e critica o fato de a Câmara ter optado por barrar duas denúncias contra Temer enquanto ele ainda era presidente.
"Finalmente a justiça começa a ser feita. Trata-se do chefe de uma quadrilha, por duas vezes nós tentamos aqui na Casa fazer com que Michel Temer respondesse pelos seus delitos durante o exercício da presidência da república, ele usou a força de seu cargo para impedir que essas denúncias avançassem, e felizmente agora ele começa a responder perante a justiça, como deveria, pelos vários crimes que cometeu."
Para Alessandro Molon, a notícia não vai afetar os trabalhos da Câmara.
O deputado Paulo Teixeira, do PT de São Paulo, criticou a Operação Lava Jato e viu relação entre a disputa recente do ministro da Justiça Sérgio Moro e do presidente da Câmara Rodrigo Maia, e as prisões. Moreira Franco é padrasto da esposa de Maia.
"A semana passada a Lava Jato sofreu várias derrotas no Supremo Tribunal Federal. Essa semana o presidente Rodrigo Maia decidiu que tramitaria apenas a Previdência Social e não o pacote Moro. O que fez Sérgio Moro? Ele veio a esta Casa ameaçar o presidente Rodrigo Maia, e o que foi feito pela Lava Jato no dia de hoje? Prendeu o sogro do presidente desta Casa Rodrigo Maia."
Nesta quarta-feira, Rodrigo Maia criticou o que considerou interferência de Sérgio Moro na tramitação do pacote anticrime.
Mas o deputado Júlio Delgado, do PSB mineiro, acredita que a disputa entre Maia e Moro não tem nada a ver com as notícias desta quinta-feira.
"Da forma que veio essa delação, e que demonstra claramente um envolvimento do gabinete da presidência, e se houve a continuidade, a obstrução da justiça, destruição de provas, dessa investigação, a prisão poderia acontecer a qualquer momento. Aconteceu no dia de hoje por coincidência, um dia posterior a uma eventual disputa e litígio entre o presidente da Casa e o ministro da Justiça Sérgio Moro. Não vejo nenhuma ligação efetiva a isso."
Mas, para Delgado, a proximidade entre Maia e Moreira Franco pode, sim, afetar os trabalhos da Câmara, sendo um complicador por exemplo para a análise da reforma da Previdência.
O deputado do PSL do Rio Grande do Sul Ubiratan Sanderson comemorou as prisões.
"Ninguém está acima da lei. Ninguém que pise nesse território brasileiro pode estar acima da lei. Produto do esforço da sociedade brasileira, não tem nada a ver com Sérgio Moro. Isso aí é determinação do povo brasileiro. Ninguém acima da lei. Parabéns, Lava Jato."
O MDB, partido de Temer e de Moreira Franco, divulgou uma nota em que diz lamentar "a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-presidente da República, Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco"
Michel Temer é o segundo ex-presidente preso pela Lava Jato. O primeiro foi Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde abril do ano passado.








