07/10/2018 06:06 - Política
Radioagência
Voto eletrônico vem sendo pensado no Brasil desde a década de 1930
Quem nasceu a partir da década de 90 não lembra, mas os brasileiros costumavam votar em cédulas de papel que eram depois depositadas em urnas de madeira, metal e lona.
A contagem dos votos era manual, feita por várias pessoas, e a apuração levava dias. As pesquisas de boca de urna eram responsáveis por dar uma ideia mais rápida aos eleitores do resultado.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a intenção de criar um sistema mecanizado para a coleta de votos é antiga. O Código Eleitoral de 1932 já previa o "uso das máquinas de votar".
Mas foi só na década de 80, com a consolidação do cadastro único e automatizado de eleitores, que a informatização do voto ficou mais perto da realidade.
E em 1996, um ano depois de o protótipo ter sido apresentado ao TSE, mais de 32 milhões de eleitores, um terço do total, foram votar em mais de 70 mil urnas eletrônicas. 57 cidades com mais de 200 mil eleitores participaram da estreia das urnas eletrônicas.
O analista de informática Newton Franklin Almeida, da Diretoria de Inovação e Tecnologia da Informação da Câmara, participou, no Tribunal Superior Eleitoral, do projeto da urna eletrônica. Ele conta que, em princípio, foi testada a impressão do voto para possibilitar a conferência.
"No primeiro momento da eleição de 1996, havia uma urna plástica acoplada à saída da impressora da urna eletrônica, e essa impressora colhia o voto impresso sem a possibilidade de conferência pelo eleitor. Essa impressão tinha o objetivo de permitir uma recontagem caso houvesse necessidade. Só que esse equipamento causou tremenda dificuldade operacional no dia da eleição. Várias panes, vários momentos em que o papel ficou preso. No momento da eleição em que o técnico precisava intervir e tirar aquela urna, livrar a saída da impressora, às vezes ocasionava violação do sigilo do voto."
Já sem a possibilidade da impressão, em 1998, houve votação eletrônica em 537 cidades brasileiras com mais de 40 mil eleitores, o que correspondeu a três quartos do eleitorado. Em 2000, o sistema foi usado em todo o país.
Nas eleições de 2002, a impressão do voto voltou a ser testada, mas, segundo o TSE, os trabalhos foram dificultados por causa do desconhecimento de parte de eleitores e mesários quanto ao novo mecanismo. Também houve grande número de falhas no processo de impressão.
Desde 2015, o tema voto impresso tem provocado muita polêmica, depois de ter sido aprovado pelo Congresso (13.165/15). A ideia é que ele começasse a ser implementado nestas eleições, mas foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal.
Já nas eleições de 2008 foram testadas as primeiras urnas eletrônicas com leitores biométricos, em cidades de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rondônia. No último pleito municipal, em 2016, 32 por cento do eleitorado já estavam aptos a votar com a biometria, e para estas eleições metade dos eleitores já estão aptos. A meta da Justiça Eleitoral é chegar a 100 por cento até 2022.
Segundo Newton Franklin Almeida, esse é o maior avanço na história do voto eletrônico:
"A principal característica de segurança que vem sendo agregada é a questão do uso da identificação biométrica do eleitor, o uso da digital, o que vai aumentar sobremaneira a confiabilidade de que aquele eleitor que está na frente da urna eletrônica proferindo o voto dele é aquele eleitor mesmo, de fato, bem identificado."
Além do Brasil, segundo o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral, mais de 30 países usam o voto eletrônico. Entre eles, Suíça, Canadá, Austrália, México, Peru e Índia.








