14/08/2018 10:50 - Saúde
Radioagência
Médicos e pacientes pedem mudanças no atendimento de pacientes com esclerose múltipla
A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara realizou audiência pública para discutir o tratamento de pacientes com esclerose múltipla.
Durante a audiência, médicos e pacientes alertam para a necessidade de alterações no protocolo para o atendimento aos pacientes no SUS.
Atualmente, dos oito medicamentos liberados pela Anvisa, seis estão disponíveis para o tratamento dos pacientes pelo SUS, mas o protocolo exige que o paciente seja tratado primeiro com os medicamentos de primeira linha, com efeitos colaterais mais baixos, mesmo que esse medicamento não seja o mais adequado para seu caso.
Para o neurologista e pesquisador, Douglas Sato, é preciso alterar a forma como o protocolo é aplicado hoje em dia, para garantir ao paciente o atendimento adequado desde o início do tratamento:
"Engessar o acesso a tratamentos que ele deveria ter ou poderia ter e que seriam mais adequados a ele passa-se o tempo então ele perde a oportunidade de tratar melhor desde o início e isso nos causa um risco muito grande de incapacidade permanente, sequelas importantes que podem aparecer num jovem que é geralmente o portador da esclerose múltipla."
O presidente da Amigos Múltiplos pela Esclerose, Gustavo San Martin, alerta para o problema da falta de medicamentos que é recorrente e prejudica muito o paciente.
Segundo monitoramento da associação, que começou em 2015, 17 mil pessoas retiram medicamento nas farmácias de alto custo e, deste total, 72 % já relataram a falta do remédio em algum momento.
Gustavo San Martin ressaltou que como a esclerose não tem cura e acomete pacientes jovens, o acesso ao medicamento adequado é fundamental na garantia da qualidade de vida:
"Eu três anos atrás não conseguia sentir meu lado esquerdo do corpo e hoje eu sinto. E eu só estou falando aqui com vocês de pé porque eu tive o tratamento adequado, o diagnóstico precoce e por aí vai."
O deputado Alan Rick, do Democratas do Acre, explicou que a comissão vai realizar uma nova audiência pública, dessa vez com representantes da Conitec, que é a responsável pela adoção de novos medicamentos e mudanças no protocolo de doenças no Brasil:
"É preciso o Ministério da Saúde atentar para isso: com o diagnóstico precoce e o medicamento adequado, e não fazer com que o paciente vá tomar medicamentos muito inferiores àquela situação que ele está vivendo por conta de alguns protocolos do Ministério. Isso é obviamente enxugar gelo."
O representante do Ministério da Saúde, Eduardo de Souza, explicou que os protocolos são revistos periodicamente e o dos pacientes de esclerose múltipla foi revisado em abril deste ano. Ele lembrou ainda que os medicamentos normalmente têm efeitos colaterais e por isso só são adotados no Brasil após terem sua segurança e eficácia comprovadas.








