13/06/2018 15:19 - Política
Radioagência
Candidaturas femininas poderão ser alavancadas nas eleições de 2018, avaliam debatedoras
Debatedoras avaliaram que as candidaturas femininas poderão ser alavancadas nas eleições de 2018 por conta da destinação de mais recursos para elas e pelo maior tempo de rádio e televisão. A participação feminina na política foi debatida em seminário promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara (nesta quarta-feira, 13).
Decisão do Tribunal Superior Eleitoral, de maio deste ano, garante a aplicação de no mínimo 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV para as mulheres candidatas. Alguns partidos recorreram da decisão. Em março, o Supremo Tribunal Federal já tinha definido a aplicação mínima de 30% dos recursos de outro fundo, o partidário, para as candidatas mulheres.
Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a deputada Ana Perugini, do PT de São Paulo, que pediu o seminário, destacou que hoje as mulheres ocupam apenas 10% das vagas na Câmara dos Deputados e que nenhum país conseguiu avançar em representatividade feminina no Legislativo sem a aprovação de uma cota. Durante a discussão da reforma política no ano passado, o Congresso não aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 134/15) que garante um mínimo de 10% de mulheres em cada casa legislativa, inclusive nos estados e municípios.
Danielle Fermiano, assessora da Secretaria da Mulher da Câmara, destacou que o Brasil ocupa a posição 154 em participação feminina, em ranking de 193 países elaborado pela União Interparlamentar. Segundo ela, existem bom exemplos na América Latina em que o Brasil pode se mirar:
"Aqui nós temos bons exemplos. Cuba, no segundo lugar, com 53.2% de participação feminina no Parlamento; a Bolívia, em terceiro lugar, com 53.1%; e a Nicarágua, em sexto lugar, com 45.7%."
Carolina de Assis, representante da Organização Gênero e Número, também destacou que as eleições de 2018 representam uma oportunidade para as mulheres e ressaltou a ineficiência da atual cota que exige 30% de candidaturas femininas. Isso porque, segundo ela, os partidos recorrem a candidatas "fantasmas", sem fornecer estrutura para elas, para preencher a cota.
Já a consultora legislativa Ana Luiza Backes destacou que caberá à direção executiva de cada partido decidir sobre os critérios de distribuição dos recursos destinados às candidaturas femininas:
"Por exemplo, partidos que tenham candidatas a presidente poderiam destinar todos os recursos que receberam para sua candidata a presidente, seria uma decisão coerente dentro do que está fixado na lei. Mas o que aconteceria? Se estaria deixando de estimular candidaturas proporcionais."
Para Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão, a paridade de homens e mulheres no Parlamento tem a ver com a qualidade da democracia. Na visão dela, as mulheres têm grande sensibilidade em relação a temas da vida real, como questões relativas à saúde e à segurança pública, enquanto os partidos políticos estão, de forma geral, afastados das questões importantes para a população brasileira.








