05/06/2018 19:11 - Saúde
Radioagência
Pacientes e médicos cobram do SUS insumos e medicamentos para diabetes
Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que 16 milhões de brasileiros têm diabetes. Mas, por falta de investimentos na prevenção da doença, outros 7 milhões ainda não estão com o diagnóstico fechado. Quem já sabe que tem a doença enfrenta falta de insumos e medicamentos.
Em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados (5/6), Vanessa Pirolo, da Associação de Pacientes com Diabetes, relatou que, na região de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, por exemplo, algumas pessoas acabam machucando a ponta dos dedos, porque não existe equipamento adequado para fazer o teste de glicemia.
"Nós precisamos ter acesso aos tratamentos adequados, à tecnologia adequada, de acordo, é claro, com a eficiência da tecnologia e muitas vezes tem que ser um passo a passo. Mas não ter lanceta para pessoa furar o dedo, o que eu falo sempre, é uma conta muito burra, a pessoa não tem acesso pra saber quanto ela está de glicemia e ela não pode tomar uma atitude em cima de um valor que ela não tem."
Pacientes e médicos cobraram uma solução para a introdução da insulina análoga de ação rápida no Sistema Único de Saúde, o SUS. O medicamento atende pessoas com diabetes tipo 1. O governo comprou a insulina e parte do equipamento para a aplicação, mas esqueceu as agulhas.
O representante do Ministério da Saúde na audiência pública, Arnoldo de Oliveira Júnior, não deu prazo para que o problema seja resolvido. Ele reconheceu que há má gestão na distribuição de medicamentos, dificuldades nas licitações e falta de remédios no mercado.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Hermelinda Pedrosa, 80 por cento do orçamento da saúde no Brasil são gastos com as chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como o diabetes.
"A gente fica pensando nas transmissíveis que são importantes, como febre amarela, dengue, malária. São importantes, sim. Mas o impacto devastador, social e econômico de alteração da qualidade de vida é capitaneado infelizmente pelas DCNT."
Outro número alarmante foi exposto durante a discussão na Comissão de Seguridade Social e Família: são apenas 5 mil endocrinologistas para fazer a prevenção e o tratamento do diabetes em todo o País. Por isso, um consenso entre os profissionais é que uma melhor qualificação das equipes de saúde para o combate à doença poderia contornar essa falta de médicos, como explica a deputada Carmen Zanotto, do PPS de Santa Catarina.
"Tem uma grande proposta de uma educação continuada que pode ser à distância, por tele-medicina, para todos os trabalhadores da área da saúde."
Depois da audiência pública, foi formalizada a criação da Frente Parlamentar Mista pela Causa do Diabetes. Uma das propostas do grupo é trabalhar pela aprovação do projeto de lei (133/2017) que estabelece a Política Nacional de Prevenção do Diabetes e de Assistência Integral à Pessoa Diabética. A proposta já passou pela Câmara e agora está sendo examinada pelo Senado.








