23/10/2017 18:56 - Agropecuária
23/10/2017 18:56 - Agropecuária
A FAO, órgão das Nações Unidos para a Agricultura e a Alimentação, estima que só 1% das propriedades em todo o mundo estejam oficialmente nas mãos de mulheres. E, no entanto, elas muitas vezes têm jornada dupla: cuidam da atividade agrícola ao mesmo tempo em que gerenciam o dia-a-dia da família. É o caso da produtora rural Nadja Silva.
"É criança pro colégio, é hora pra fazer almoço, então geralmente eu faço o almoço à noite e esquento ao meio-dia. Aí eu corro, vou botar os meninos para tomar banho, pra ir pro colégio".
A situação de mulheres do campo como a Nadja pode melhorar. Foi aprovada pela Comissão da Agricultura uma proposta que dá prioridade a mulheres chefes de família na concessão e na compra de terras em áreas de reforma agrária, de regularização fundiária e de reordenamento agrário. Elas teriam preferência na classificação durante a seleção para obter os lotes. O projeto de lei (2421/15), de autoria do deputado Jorge Silva, do Pros do Espírito Santo, também determina que homens e mulheres casados ou em união estável tenham o mesmo direito de verem seus nomes nos documentos de propriedade. A relatora da proposta na Comissão de Agricultura, deputada Dulce Miranda, do PMDB do Tocantins, espera que a lei seja posta em prática e beneficie a mulher das áreas rurais.
"Se ela quiser ter o título dela, se o Estado achar de direito regulamentar o que ela já está lá em cima há muitos anos, ela terá o título dela na mão".
Para a pesquisadora Ana Vitória Sampaio, da Universidade de Brasília, o alcance de medida é muito grande.
"Uma vez que você passa para as mulheres o título daquele pedaço de terra, você está empoderando-as e aí elas podem não só produzir e vender o produto do seu trabalho, mas é algo que vai se refletir para as famílias delas e para as gerações futuras".
O projeto ainda precisa ser examinado pela Comissão de Constituição e Justiça. Se não houver recursos para votação em Plenário, ele segue para apreciação do Senado.
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