04/05/2017 19:40 - Educação
Radioagência
Autistas reivindicam mais inclusão nas escolas
A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Câmara realizou audiência pública para discutir os problemas enfrentados pelos autistas nas escolas.
Participaram da reunião representantes do Ministério da Educação, do Movimento Orgulho Autista do Brasil e do Instituto Federal de Brasília.
O autismo é um transtorno global do desenvolvimento que se caracteriza pelo comprometimento na socialização, nas habilidades de comunicação e no comportamento social.
Wander Gonçalves da Silva Júnior, estudante autista reclama que o MEC não está preparado para realizar provas adequadas para pessoas com o transtorno.
"O MEC trata o transtorno do espectro autista como se ele não existisse, porque a legislação assegura uma prova em formato pedagógico acessível, ou seja, se baseia no diagnóstico médico do estudante para que assim seja feita uma avaliação adequada à sua condição biológica e à sua condição de fala na correção da redação. Nem na prova objetiva, nem na prova dissertativa houve o respeito da legislação vigente."
A diretora de políticas de educação especial do MEC, Patrícia Neves Raposo, reconhece que no caso dos autistas ainda há muito a ser feito, mas garantiu que o MEC tem trabalhado na inclusão de cada vez mais pessoas com deficiência no ensino regular.
"A inclusão é um processo que é longo de toda a vida escolar do aluno. Nós temos hoje um maior quantitativo de alunos do espectro autista incluídos em classes comuns do ensino regular com atendimento educacional especializados e com o apoio de programas e ações do Ministério da Educação especialmente em salas de recursos multifuncionais com o atendimento educacional especializado."
A diretora de ensino do Movimento Orgulho Autista do Brasil, Viviani Guimarães, lamentou que muitas vezes os alunos vão para as escolas, mas por falta de formação dos professores e de estrutura da escola, não participam das atividades da turma.
"Não é fácil você fazer a inclusão. Realmente você saber o que você deve ensinar, como que você deve ensinar, porque quando a gente trata do autismo, existe uma gama muito grande. Então você tem o autista mais leve, você tem o moderado e você tem o severo e aí a gente precisa partir das redes de interesse dele para realmente poder fazer essa adaptação curricular. Porque quando a gente parte do que ele gosta, a gente consegue inserir novos conhecimento para ele, mas isso é muito difícil de fazer."
A deputada Carmen Zanotto, afirmou que a comissão vai enviar um pedido de esclarecimento ao MEC para acompanhar se as mudanças previstas na lei estão sendo implementadas no Enem e nas escolas.
"Eu diria que é falta de cumprir com o que está na legislação. Nós temos legislações avançadas neste tema, mas nós ainda não temos de fato e de direito a garantia para que os familiares das pessoas com autismo tenham o direito de escolher uma escola regular para seus filhos frequentarem ou até mesmo a universidade a partir dos programas do governo federal."
Já o psiquiatra Caio Abujadi, acredita que a sociedade perde por não aproveitar todo o potencial intelectual que os autistas têm. Para ele, a inclusão dos autistas nas escolas vai beneficiar os outros alunos, a escola e a sociedade.
Ele destacou que crianças com autismo são muito sensíveis, mas essa sensibilidade pode ser benéfica em um ambiente favorável ao desenvolvimento.
Os transtornos do espectro autista se manifestam em uma a cada 68 crianças.








