20/12/2016 11:51 - Saúde
Radioagência
Falta de leitos de UTI em hospitais públicos preocupa parlamentares
Há no Brasil hoje 41 mil leitos de UTI: 21 mil leitos em hospitais privados e 20 mil na rede pública. Mas apenas 15% dos brasileiros têm acesso aos leitos privados. Essa desigualdade levou o deputado Silas Freire, do PR do Piauí, a propor um debate específico sobre as Unidades de Terapia Intensiva na Comissão de Seguridade Social, responsável pelos temas ligados à saúde.
"Esse é um assunto, esse é um tema que aflige a todos. Você já imaginou o que é você chegar num hospital, sabendo que seu ente querido tem uma chance de sobreviver, e você receber uma resposta que não tem uma vaga na UTI, sabendo que lá no hospital privado está sobrando vagas e no hospital público, não? Você ver o seu pai e a sua mãe morrerem por falta de uma UTI, se sentir impotente. Esse é um sentimento que você vai levar para o resto da sua vida."
O representante do Ministério da Saúde na audiência pública lembra que há também uma enorme desigualdade regional, com a concentração das UTIs na região Sudeste, e muita carência na região Nordeste, especialmente na Bahia. E diante da falta generalizada de verbas, Luiz Edgar Leão diz que o caminho é ser mais criterioso no repasse dos recursos.
"O ministro tem demandando que possamos trabalhar através de diretrizes e de melhor regulamentação, para que chegue o recurso até a ponta, da melhor forma, para que não haja nenhum tipo de desvio, ou de divergência. Passamos também pela judicialização, existe uma judicialização, que em alguns estados é mais forte, o gestor de UTI fica entre escolher o paciente ou acatar o mandado judicial."
A judicialização também foi tema da audiência, com muitas reclamações dos gestores sobre como os mandados judiciais podem prejudicar um conjunto maior de pacientes do que os que beneficiam. O Ministério da Saúde promete uma nova regulamentação que facilite o gerenciamento dos leitos e deixe mais claros os critérios técnicos de atendimento dos pacientes. Também se quer aumentar o número de leitos intermediários, mais baratos que UTIs, porém com mais tecnologia que leitos comuns.
Para o representante da Associação Nacional dos Hospitais Privados, Guilherme Schetino, a qualificação das equipes também pode melhorar a situação das UTIs.
"Um bom time, um time treinado, um time trabalhando realmente em equipe, faz uma grande diferença, abreviando o tempo de internação na UTI, e, com isso, liberando leitos para serem utilizados por outros pacientes."
Os deputados envolvidos com o tema pretendem retomar, em 2017, a mobilização para garantir mais acesso da população às Unidades de Terapia Intensiva.








