16/12/2016 15:48 - Educação
Radioagência
Retrospectiva: MP da reforma do ensino médio movimenta Câmara em dezembro
Em dezembro de 2016, a Câmara aprovou a reforma do ensino médio, que pretende aumentar a jornada do estudante das quatro horas diárias atuais para sete horas, além de reduzir o total de disciplinas obrigatórias para que ele possa escolher uma área de aprofundamento já a partir do primeiro ano. A ideia é tornar o ensino mais atrativo e conectado ao mercado de trabalho. A reforma foi encaminhada por medida provisória, o que foi um dos motivos para protestos de estudantes em escolas de ensino médio e universidades de todo o país.
Os parlamentares que se opuseram à medida, apesar de defenderem a necessidade de alguma reforma, acreditam que a falta de recursos vai impedir tanto a ampliação da jornada quanto a oferta das cinco áreas de aprofundamento, que seriam Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e formação técnica. É o que disse a deputada Maria do Rosário (PT-RS) durante os debates.
"Eu reclamo aqui que os itinerários formativos estão sendo apresentados como um simulacro, porque grande parte dos municípios brasileiros são tão pequenos que têm apenas uma escola de ensino médio. Então, ainda que sejam cinco itinerários formativos, que escolha fará o estudante? Será imposto aquilo que a escola tiver".
Para o deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), presidente da comissão especial que analisou a medida provisória da reforma, os parlamentares terão que priorizar o ensino médio na elaboração do Orçamento.
"Nos últimos anos, se investiu R$ 30 bilhões no ensino superior e apenas R$ 10 bilhões no ensino básico. Nós temos que reverter um pouco. Temos que investir mais agora no ensino básico, inclusive colocamos R$ 1,5 bilhão para incentivar o início da educação integral e vamos agora, na mudança do Fundeb, resolver esta questão".
A secretária-executiva do MEC, Maria Helena de Castro, disse que o importante é tornar o ensino menos enciclopédico.
"O Brasil é o único país no mundo que tem o ensino médio único, igual para todos, com currículo obrigatório de no mínimo 13 disciplinas, podendo chegar a até 18 disciplinas em alguns estados do país."
Mas nem todos concordaram com a redução do total de disciplinas. É o caso de Eduardo Oliveira, do Sindicato de Professores de Instituições Federais de Ensino.
"Nós vamos eliminar praticamente a ideia de um ensino médio geral e vão contrariar a própria ideia que a LDB já construiu de que o cidadão que está sendo formado tem de ter uma visão integral do conhecimento humano em todas as áreas e a ideia dos itinerários formativos vai diminuir o espaço para disciplinas comuns. Isso é um problema muito sério."
Para o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), os resultados dos estudantes nas provas de avaliação provam que o ensino médio atual é ruim.
"Há muito o ensino oferecido não corresponde às expectativas dos estudantes, principalmente no que tange à inserção no mercado de trabalho. Os recentes dados do Pisa, que avaliou o desempenho médio dos jovens estudantes brasileiros, na avaliação de Ciências foi de 401 pontos; valor significativamente inferior à média dos estudantes dos países membros da OCDE."








