08/12/2016 15:36 - Assistência Social
Radioagência
Deputados propõem grupo de trabalho voltado a políticas de prevenção ao suicídio
As taxas de suicídio no Brasil vêm aumentando, principalmente entre jovens de 15 a 19 anos. Na região Norte, entre 2002 e 2012, o crescimento foi de 77,7%. Estes são alguns dados apresentados pelos participantes de audiência pública sobre o tema na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. Os deputados pretendem, agora, criar um grupo de trabalho para listar políticas públicas que possam ser adotadas para lidar com o problema.
De acordo com Fábio Gomes de Matos, professor da Universidade do Ceará, são 800 mil suicídios por ano no mundo, 12 mil no Brasil, a maior parte de homens. Fábio explicou que as políticas públicas de prevenção ainda são insuficientes.
"Quantas mortes a dengue provocou? No Brasil, em 2013, provocou 235. Nós temos políticas públicas para evitar 235 mortes e não temos para evitar 12 mil mortes. A gente precisa mudar esse paradigma."
Em 2006, o Ministério da Saúde editou uma portaria com algumas medidas (1.876), mas o professor acredita que é possível, por exemplo, mudar a legislação para exigir medidas como barreiras contra o suicídio em obras, proibir a comercialização de munições como os "chumbinhos" e adotar receitas médicas digitais para que o médico não forneça nova receita para um paciente que já obteve a prescrição do medicamento por outro profissional.
Segundo o especialista Ricardo Nogueira, o Rio Grande do Sul é há mais de 25 anos o estado com mais casos de suicídio no país, com cerca de mil mortes por ano. Os idosos são o perfil majoritário, mas aumentam os casos entre adolescentes. A maior parte acontece aos domingos, no fim da tarde.
A jornalista Maya Veloso, do sistema Meio Norte de Comunicação, disse que o aumento dos casos na região fez com que o grupo passasse a divulgar o assunto, mas de maneira responsável, sem dar detalhes do método usado ou publicar fotos dos locais. Teresina é a segunda cidade com mais casos no país proporcionalmente ao total de habitantes. A primeira é Florianópolis.
O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) sugeriu a criação de um grupo de trabalho para atuar em novas políticas públicas voltadas à questão.
"Eu vejo aqui como oportunidade certamente esses 300 mil agentes comunitários. Os agentes são os profissionais de saúde mais próximos das famílias, capacitá-los! É algo absolutamente estratégico."
Robert Paris, presidente do Centro de Valorização da Vida, anunciou que em meados de janeiro já deve estar funcionando o telefone 188 em todo o país em substituição ao 141, do CVV. O novo número é um convênio do CVV com o Ministério da Saúde. O centro existe há 54 anos e é tocado por 2 mil voluntários. Segundo Robert, a ideia é oferecer um alívio que deve ser seguido de um tratamento especializado.








