06/12/2016 19:57 - Direito e Justiça
Radioagência
Jean Wyllys diz no Conselho de Ética que cuspe em Bolsonaro foi reação a insultos
Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, Jean Wyllys diz que cuspe em Jair Bolsonaro foi reação a insultos. Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro, depôs nesta terça-feira no processo em que a Mesa Diretora da Câmara o acusa de quebra do decoro parlamentar por ter cuspido em Bolsonaro, do PSC do Rio Janeiro. O episódio ocorreu em 17 de abril deste ano, no Plenário da Câmara, durante a votação da admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ao apresentar a sua versão do caso, Jean Wyllys lembrou o contexto de tensão e polarização política em torno de impeachment de Dilma e afirmou que, desde seu primeiro mandato, é vítima de "violência homofóbica" de Bolsonaro.
"Pouco antes do meu voto, o deputado Jair Bolsonaro dedicou o seu voto a favor do impeachment da Dilma a um dos piores torturadores da ditadura brasileira (Carlos Alberto Brilhante Ustra). Eu ouvi aquele voto e, logo depois, fui chamado a proferir o meu voto. Junto das vaias, era dito: 'viado' e 'sai daí,viado'. E quando eu voltei e estava caminhando em direção ao meu lugar, eu ouvi: 'queima rosca' e 'sai, queima rosca'. E quando eu olhei, era o deputado Jair Bolsonaro, que olhou para mim e fez 'tchau, querida'. Eu tolerei seis anos esses insultos, mas, naquela hora, eu cuspi na cara daquele fascista porque foi (um sentimento) mais forte do que eu. A minha cuspida foi uma reação e não uma ação".
Wyllys também acusou Bolsonaro de fraude em um vídeo que supostamente mostraria premeditação neste episódio. Já inocentado em outras duas representações no Conselho de Ética, ambas movidas pelo PSC, Jean Wyllys disse ser alvo de difamação feita de maneira orquestrada.
"Eu nunca roubei dinheiro público, eu nunca participei de esquema de corrupção, eu nunca menti no Parlamento. As pessoas podem até divergir da minha agenda política, mas eu não feri a conduta ética em nenhum momento. Entretanto, eu já fui representado duas vezes no Conselho de Ética. Acho que nós deveríamos nos perguntar por que e se há uma relação entre essas duas representações e o fato de eu ser o único parlamentar abertamente homossexual. Será que os meus adversários políticos não estão se valendo e se instrumentalizando de representações contra mim?".
Em depoimento ao Conselho de Ética, no início de novembro, Jair Bolsonaro negou agressões verbais a Jean Wyllys e se disse vítima de "perseguição política". Na representação enviada ao Conselho, a Mesa Diretora da Câmara pede a suspensão do exercício do mandato de Wyllys por até seis meses devido ao episódio do cuspe em Bolsonaro. Para concluir o parecer sobre o caso, o relator, deputado Ricardo Izar, do PP paulista, só espera o resultado da perícia em vídeos anexados ao processo.
"Acho que não vou ter problema nenhum de, em menos de 10 dias, apresentar o relatório. Houve o fato e o que a gente estava estudando aqui era se houve algum tipo de atenuante, se foi uma ação ou reação. É isso que foi examinado e eu vou levar tudo isso em consideração".
Também nesta terça, o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo, do PR baiano, designou o deputado Carlos Marun, do PMDB do Mato Grosso do Sul, como relator do processo em que o PSB acusa o deputado Laerte Bessa, do PR do Distrito Federal, de quebra do decoro parlamentar por ter xingado o governador do DF, Rodrigo Rollemberg.








