23/11/2016 21:35 - Educação
Radioagência
Debatedores divergem sobre proposta de reforma do Ensino Médio
Comissão de deputados e senadores recolheu, nesta quarta-feira, sugestões sobre a reforma no ensino médio (MP 746/16). Essa foi a oitava reunião do colegiado que deve analisar o parecer do relator, senador Pedro Chaves (PSC-MS), já na próxima semana. Entre outros pontos, a MP cria uma política de fomento ao ensino integral no ciclo médio e permite às escolas ofertarem itinerários formativos específicos, com ênfase em linguagens e matemática, por exemplo.
O Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Eduardo Deschamps, é favorável à reforma, mas pediu cautela em alguns pontos do texto. Como na aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que, na prática, vai orientar a formulação do currículo em cada escola.
"Primeiro deles é deixar muito claro o papel da Base Curricular Comum, como é que você vai trabalhar ela, para não confundir a BNCC com a parte comum obrigatória do currículo, porque a Base é mais ampla que isso. Você deve ter os cuidados do ponto de vista da implementação do tempo integral porque isso requer toda uma estrutura e organização. Mas, em especial, para que esse movimento possa ter resultado, você precisa ter um trabalho muito forte de formação dos professores, como você vai trabalhar com os professores dentro dessa nova perspectiva (...)"
A deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) tem receio de que a flexibilidade no currículo agrave as disparidades no ensino médio:
"Meu receio é que amplie as diferenças e desigualdades, porque hoje, querendo ou não, nós temos um eixo, uma centralidade do ensino médio, que existe, quer seja numa pequena cidade, quer seja numa grande cidade. Quando eu abro a opção para na cidade de maior porte eu ter opções diferentes de escolha, no caso das pequenas cidades, eles não vão ter escolhas. Eles vão ter piorado uma única ênfase. Eles vão perder a parte da base que tinham em um desenho único."
João Batista, presidente do Instituto Alfa e Beto, que faz análises sobre o sistema educacional brasileiro, sugeriu a adoção de currículo com 12 disciplinas diferentes:
"A minha proposta é que haja um núcleo comum, com língua portuguesa, matemática e uma língua estrangeira, que no caso vai ser inglês. O aluno terá de fazer uma disciplina em cada uma das outras áreas, na área de ciências, ciências humanas e ciências sociais e as outras 12 disciplinas que ele fará ao longo dos três anos, ele vai ter de fazer uma grande parte na área de concentração e outras em áreas que ele possa escolher."
O colegiado volta a ser reunir na semana que vem para ouvir o atual ministro da Educação, Mendonça Filho, e ex-chefes da pasta, entre eles Fernando Haddad e Aloizio Mercadante.








