01/11/2016 20:48 - Educação
Radioagência
Estudantes de Brasília reclamam de conflitos em ocupação de escolas
Deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara vão acompanhar as ocupações de 10 escolas no Distrito Federal. Uma delas, o Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab) de Taguatinga (DF), teve conflitos na noite de segunda-feira, e foi desocupada nesta terça de manhã pela Polícia Militar.
Os deputados devem se reunir com o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, pedindo atenção especial ao direito dos adolescentes que estão nas escolas. Como explica a deputada Erika Kokay (PT-DF), que esteve no Cemab logo após o conflito.
"Foram jogadas nos ocupantes bombas de coquetel molotov; houve uma estudante que foi agredida; outro foi ameaçado com uma arma e as pessoas saíram de lá com gritos de guerra fascistas, fazendo apologia ao ódio, ao estupro, e nada foi feito. O Estado, que deveria proteger a liberdade, as pessoas, muitas vezes tem um rigor extremo com uma ocupação pacífica e esses que vão lá e provocam todo tipo de ilicitudes voltam para suas casas como se nada tivessem feito."
Segundo relato de estudantes presentes na reunião, o conflito ocorreu quando alunos contrários à ocupação entraram na escola e começaram as agressões.
O aluno Francisco Franco narrou que na escola Setor Oeste, de Brasília, tem sido possível um diálogo entre os movimentos Ocupa e Desocupa, mas pessoas de movimentos alheios aos estudantes têm incitado a violência.
"Estão vindo de uma forma totalmente violenta. A gente recebe muitas ameaças durante a noite, ameaças de arma de fogo e de armas brancas, então é uma pressão psicológica enorme em cima dos meninos que estão lá dentro, absurda. A direção da escola do Setor Oeste não faz nada para facilitar. Durante o dia, na quarta-feira, que foi muito conflituoso, não tiveram uma postura para proteger os estudantes, em momento algum tentaram evitar o conflito, na verdade incentivaram ele por serem contra a ocupação"
Os deputados também devem ir ao Conselho Nacional de Justiça para denunciar um juiz de Brasília por uma decisão que consideraram extremada quanto às ocupações de escolas por estudantes no DF. Na decisão, o juiz Alex Costa de Oliveira impede a entrada de pais durante o processo de retomada de posse e autoriza o uso de instrumentos sonoros que impeçam o sono durante a noite, além do corte de água e luz, o que foi considerado demasiado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que é vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos.
"Com a máxima brevidade possível, se possível, na quinta-feira, vamos entregar direto para Cármen Lúcia uma representação contra esse juiz. Nós temos informações que sequer ele é juiz desta área. Seria um juiz de plantão que deu uma decisão desta gravidade."
Segundo dados da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, há pelo menos 1.174 escolas ocupadas pelo País lutando contra a provação de propostas como a reforma do ensino médio e a PEC dos Gastos Públicos.








