31/10/2016 16:00 - Direito e Justiça
Radioagência
Relator da reforma do CPP defende mudanças na execução penal
Relator da reforma do Código de Processo Penal também defende mudanças na execução das penas. Em entrevista ao programa "Com a Palavra", da Rádio Câmara, o deputado João Campos, do PRB de Goiás, afirmou que a parte geral do Código Penal e a Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) apresentam fragilidades que dificultam a permanência na prisão de autores de crimes graves. Campos defende mais rigor nos critérios para a progressão da pena e concessões de indulto e perdão.
"Já é difícil condenar o bandido no Brasil. Depois que o condena, a lei traz tanta generosidade que o camarada não fica preso. Um dos exemplos é exatamente no que se refere à progressão do regime e à concessão de indulto, de perdão e de outros benefícios pós-condenação. Veja que, para o crime não hediondo, basta cumprir um sexto da pena. Um homicídio simples tem pena de 12 anos, mas, se estiver estudando dentro do presídio, ele ainda conta com o instituto da remição da pena. Vai ficar preso, certamente, um ano e meio. Ora, isso para quem assassinou, matou, não tem cabimento".
No âmbito da comissão especial de reforma do Código de Processo Penal, João Campos se limita à análise de 194 projetos de lei (nº 8045/2010 e apensados) com foco, obviamente, em alterações processuais. Mas o deputado também é autor de uma proposta (projeto de lei 3573/2012) que aumenta o tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade e o prazo para a concessão de livramento condicional e para a progressão de regime de cumprimento de pena. O deputado também se disse favorável à intenção do governo federal de enviar ao Congresso outra proposta, que elevaria de um sexto para a metade o tempo mínimo de cumprimento de pena em regime fechado nos casos de condenação por corrupção passiva e ativa e crimes praticados com violência ou grave ameaça.
"Existem determinadas situações em que o ideal seria o cidadão cumprir toda a pena no regime fechado. Mas o Supremo Tribunal Federal entendeu que isso é inconstitucional. Já que a progressão de regime tem que existir por força constitucional, então, nós temos que mudar os requisitos, dificultar a progressão, mudar os prazos para a progressão. Basta o governo se juntar a nós nesta articulação aqui para a gente aprovar essas alterações".
Mudanças na Lei de Execução Penal costumam render polêmica na Câmara, onde 47 projetos de lei sobre o tema tramitam em conjunto. O mais antigo é de 2001 (nº 4500). Todos estão prontos para a votação do Plenário da Câmara, mas ainda não houve consenso para inclusão na Ordem do Dia.








