05/07/2016 18:59 - Segurança
05/07/2016 18:59 - Segurança
Participantes de debate na Comissão de Desenvolvimento Urbano criticaram, nesta terça-feira, os chamados "vagões rosa" que seriam criados para o uso exclusivo de mulheres e crianças em trens e metrôs.
A reserva obrigatória de vagões nos horários de pico por parte das concessionárias de metrô foi sugerida pela ex-deputada e atual senadora Rose de Freitas (Projeto de Lei 6758/06).
Em vez de erradicar a violência nos transportes públicos, o projeto pode causar efeito indesejável, ao intensificar o conflito entre gêneros – é o que disse a representante da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANP Trilhos), Rosana Chiavassa.
"Nós somos 58% das usuárias de todo os sistema. Então, nós vamos fazer 58% de vagões cor de rosa? Amanhã, nós vamos ter de criar ruas cor de rosa, casas cor de rosa, bairros cor de rosa, cidades cor de rosa, estádios... Então, esse movimento de segregação é muito perigoso, porque ele vai levar a um confronto entre sexos, e ninguém mais quer isso."
Já para a coordenadora do movimento Promotoras Legais Populares (do DF e Entorno), Leila Regina Lopes Rebouças, os "vagões rosa" representam alternativa provisória de segurança:
"As mulheres que embarcam no vagão rosa ainda estarão submetidas a sofrer todos os tipos de violência até porque a maioria da violência contra as mulheres acontece dentro de casa."
A reserva de vagões é polêmica: foi aprovada pela Comissão de Seguridade Social e Família e rejeitada pela Comissão de Viação e Transportes. Agora, está na pauta da Comissão de Desenvolvimento Urbano. Relator do projeto nesse colegiado, o baiano José Rocha (PR), foi quem propôs o debate. Para ele, a conscientização contra a cultura machista é medida de longo prazo.
"Nós precisamos realmente de educar. Nós vivemos em um momento que eu tenho dito que, se começar hoje, é daqui a cem anos."
Durante o debate na Comissão de Desenvolvimento Urbano, a representante do ANP Trilhos informou que a maioria das mulheres que respondeu à pesquisa do metrô de São Paulo em 2015 disse ser contrária à medida. Entre os argumentos usados estão o de que a adoção do vagão exclusivo significa o retorno ao tempo em que as mulheres não eram autorizadas a sair de casa.
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