16/06/2016 21:14 - Saúde
Radioagência
Movimento pede mudança na regulamentação da Lei do Autista
Representantes do Movimento Orgulho Autista Brasil pediram a mudança na regulamentação da Lei do Autista (lei nº 12764/12) durante a realização de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Câmara para marcar o Dia Mundial do Orgulho Autista, comemorado em 18 de junho.
Ronaldo Cruz, editor de uma página no Facebook, a Tribuna Autista, explicou que, de acordo com regulamentação da lei, os autistas são atendidos pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), que já têm sua estrutura saturada. Ele defende a criação de clínicas-escolas, onde poderá ser feito um atendimento mais adequado à necessidade das crianças e dos adolescentes.
"A partir do momento que não existe tratamento, não existe atendimento e a demanda é saturada, os autistas não têm atendimento. Isso quer dizer o quê? Em termos de produtividade, em termos de formação, de tratamento zero."
Tatiana Roque, diretor de eventos do Movimento Orgulho Autista Brasil, explicou que o autismo é uma síndrome comportamental caracterizada pela dificuldade de inclusão, atraso na linguagem e a realização de movimentos repetitivos. E a falta de atendimento adequado, segundo ela, pode piorar o quadro.
"A gente está para celebrar a vida dos autistas e também para cobrar das autoridades a realização da lei. A lei está aí, ela não está sendo cumprida, ela não está saindo do papel e a gente está lutando muito pela construção da clínica-escola, que é um centro especializado onde vai ter uma equipe multidisciplinar que vai atender esse autista com qualidade. A gente está lutando para ter políticas públicas que vão atender o autista adolescente, o autista adulto."
Para entender melhor o autista, a pedagoga Viviani Amanajás escreve livros sobre autismo. Para ela, somente conhecendo de perto essas pessoas, sua realidade é possível quebrar o preconceito que é causa de sofrimento para os autistas e suas famílias.
Para o deputado Luiz Couto, do PT da Paraíba, a realização da audiência pública é uma forma de dar visibilidade para que essa parcela da população tenha acesso a seus direitos.
"Nós consideramos importante esse debate agora, onde pais que estão e que tiveram toda a experiência na educação dos seus filhos autistas, estão aqui dando contribuições para todos nós.”
Segundo a Organização das Nações Unidas, existem 70 milhões de autistas no mundo. Estima-se que no Brasil, 2 milhões de pessoas sejam autistas. Como o transtorno do espectro autista se manifesta de diferentes formas, muitos podem ter uma vida produtiva trabalhando e estudando, desde que tenham acesso às terapias adequadas ao longo da vida. Para saber mais sobre o autismo, você pode acessar o site www.orgulhoautista.org








