31/05/2016 22:10 - Esportes
Radioagência
Denúncias que envolvem presidente da CBF marcam audiência da CPI da Máfia do Futebol
Deputados duvidam das ações de modernização e ética no futebol brasileiro com Marco Polo Del Nero à frente da CBF. As denúncias envolvendo o presidente da entidade dominaram a audiência pública da CPI da Máfia do Futebol, nesta terça-feira.
A reunião deveria discutir suspeitas de suborno pago por executivos de marketing esportivo a dirigentes da CBF para a comercialização de direitos de mídia e marketing da Seleção Brasileira de Futebol e de torneios organizados pela entidade. Como convidado, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, concentrou o depoimento nas ações de Del Nero, que, há pouco mais de um ano, tenta implementar a chamada "Nova CBF", baseada em pilares de "democracia, participação, transparência, modernização e ética".
Feldman afirmou que a atual gestão é de "transição" para um novo modelo de governança e que, em cerca de três anos, o futebol brasileiro terá uma estrutura que dará orgulho ao país dentro e fora e de campo.
"Nós estamos encerrando um período de proeminência dos espertos, daqueles que utilizaram a sua inteligência para produzir o desvio do resultado que deve ser conquistado em campo. Imagino que nós estamos nos aproximando de um sistema cada vez mais blindado."
No entanto, vários deputados criticaram a falta de foco do depoimento de Feldman nas denúncias envolvendo a CBF. Também lembraram que Marco Polo Del Nero é investigado pelo FBI, nos Estados Unidos, e pela Fifa, na Suíça, por suposto envolvimento no esquema de corrupção que já levou à prisão vários dirigentes internacionais de futebol, entre eles, o ex-presidente da CBF José Maria Marin, que cumpre prisão domiciliar nos Estados Unidos. O deputado Major Olímpio, do SD paulista, ainda não vê perspectiva de mudanças na gestão do futebol brasileiro.
“Não é possível sujar mais [o nome da CBF] do que já está sujo nacional e internacionalmente. Não pode acompanhar a seleção, senão é preso em outro país [referindo-se a Del Nero]. É uma vergonha nacional para a gente. A mim não convence que esses pilares basilares de uma nova governança tenham ética quando se mantém o mesmo presidente e a mesma estrutura podre e carcomida. Ela é podre.”
O deputado João Derly, da Rede do Rio Grande do Sul, concordou e defendeu o afastamento de Del Nero.
"Não vai ser com a mesma pessoa que esteve, durante anos na vice-presidência de Ricardo Teixeira e outros envolvidos em esquema grande de corrupção, que vai acontecer a grande mudança da CBF. Vai continuar sendo arcaica, moribunda e obscura. Eu ainda acho que a saída de Del Nero seria a melhor alternativa.”
Walter Feldman lembrou que, apesar das denúncias, não há prova contra o atual presidente da CBF e acrescentou que Marco Polo Del Nero tem dado total liberdade à gestão profissional da entidade. Em relação aos contratos de mídia e marketing, alvo das denúncias, frisou que estão sob análise dos departamentos jurídico e de marketing da CBF, que ainda não encontraram irregularidades.
Feldman ressaltou ainda que vários contratantes têm adotado postura de cautela com a entidade, diante da série de investigações nacionais e internacionais, o que inibe novos investimentos no futebol. O relator da CPI, deputado Fernando Monteiro, do PP de Pernambuco, disse que a comissão vai propor normas rígidas para inibir a corrupção no futebol.
"No Brasil, não é crime a corrupção de ente privado. E uma batalha que, agora, será incansável na CPI, é deixar o legado de que a corrupção privada no Brasil também seja crime.”
Segundo Fernando Monteiro, foi a legislação avançada que permitiu que Estados Unidos e Suíça desbaratassem a corrupção na Fifa.








