12/04/2016 10:04 - Política
Radioagência
Deputados repercutem vazamento de áudio de Michel Temer
No início da noite desta segunda-feira, antes da votação do relatório sobre o processo de impeachment na comissão especial, alguns sites de notícias publicaram um áudio do vice-presidente da República, Michel Temer, no qual ele fala como se a Câmara já tivesse aprovado a abertura do processo.
No áudio vazado, Temer antecipa que a Câmara decidiu por "votação significativa" declarar a autorização para a instauração de processo de impeachment; e que a tramitação do processo no Senado seria longa. Ele destaca, também, que manteria programas sociais como Bolsa Família, Pronatec e Fies; e que seria preciso um governo de "salvação nacional".
O áudio elevou as críticas dos governistas ao vice-presidente que alegam ter Temer preparado um golpe. Já os peemedebistas dizem que a gravação foi apenas uma precaução para a possibilidade de, de fato, o processo vir a ser aprovado.
A deputada Maria do Rosário, do PT gaúcho, ressaltou que o episódio mostrou uma traição:
"A armação por dentro do governo tem um só nome: traição. Ele não apenas demonstra que está se preparando, como está no centro do golpe. O vice-presidente da República associa-se a uma ilegalidade, e associa-se de modo a trair aquilo que ele disse também em 2014, que ele estaria ao lado da presidenta Dilma. E a palavra que eu tenho a dizer aos brasileiros e brasileiras é que na política há lugar para muitas coisas e há situações inaceitáveis que nós jamais podemos aceitar, mas a traição talvez seja a mais dura de ser aceita."
Já para o deputado peemedebista, Carlos Marun, do Rio de Janeiro, o vice-presidente Temer apenas fez reflexões, cumprindo seu dever de se preparar:
"Ele, efetivamente, faz algumas reflexões, e avalia até o que dizer à população no caso dessa situação se estabelecer. Uma dessas reflexões vazou pela internet, não era o desejo do vice-presidente, mas não existe, digamos assim, nenhum problema maior nisso. É, simplesmente, o vice-presidente cumprindo o seu dever constitucional de se preparar para a eventualidade de assumir o governo em avançando, aqui, o processo de impeachment."
Em entrevista à imprensa após o vazamento, Temer disse que ia mandar o áudio para um amigo pelo WhatsApp, mas se equivocou e mandou para um grupo, o que acabou levando ao vazamento. Segundo ele, alguns colegas o indagavam se estaria preparado para o que diria, caso fosse aprovado o processo de impeachment e ele disse que estava pensando em gravar alguma coisa a respeito. Temer também reiterou que aquilo que falou foi exatamente o que já fez no passado e que continuaria a fazer.








