22/02/2016 21:38 - Direito e Justiça
Radioagência
Oposição quer usar prisão de João Santana para reforçar ações contra governo Dilma
Oposição quer usar a prisão de marqueteiro do PT para reforçar as ações contra o governo Dilma Rousseff, enquanto líderes governistas criticam foco das investigações nos petistas. Em nova fase da Operação Lava Jato, apelidada de Acarajé, a Justiça determinou a prisão preventiva do publicitário João Santana, responsável pelas últimas campanhas eleitorais do PT à presidência da República. Para a Polícia Federal e o Ministério Público, Santana sabia que recursos depositados em suas contas no exterior vinham de propina paga no esquema de corrupção da Petrobras. Os líderes de PSDB, DEM, PPS, PSB e Solidariedade vão se reunir, nesta terça-feira, para avaliar o possível reflexo do caso Santana no pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que será analisado pela Câmara, e sobretudo na ação que tenta impugnar, no Tribunal Superior Eleitoral, a chapa pela qual Dilma se reelegeu, em 2014. Para o líder do DEM, deputado Pauderney Avelino, os motivos da prisão de João Santana têm semelhanças com denúncias que levaram o então publicitário do ex-presidente Lula, Duda Mendonça, a ser investigado na CPI do mensalão, em 2005.
"A operação (Acarajé) mostra que o PT reiteradas vezes vem exercendo essa prática. O governo não pode dizer não conhece essa situação. É com ele, sim. As provas já estão no Tribunal Superior Eleitoral e, possivelmente, essa chapa deverá ser cassada. Essa operação vem trazer mais elementos para mostrar que foi usado dinheiro sujo na campanha do PT para reeleger a presidente Dilma Rousseff".
Pauderney Avelino também avalia que a nova fase da Operação Lava Jato reforça a mobilização em torno das manifestações contra o governo Dilma programadas para 13 de março. Já o líder do PT, deputado Afonso Florence, defendeu a liberdade de investigação, mas identificou falhas na atuação de agentes da Polícia Federal e do Ministério Público por focar os petistas em detrimento de outros políticos da oposição também citados em delações premiadas.
"Primeiro, nós consideramos que é uma conquista termos instituições de controle externo com autonomia de investigação. Entretanto, nós temos condições de prestação de contas, de captação de recursos e apoio de empresas que são investigadas pela Lava Jato com as contas do PT aprovadas e a documentação arrolada na forma da lei e a do PSDB também. É óbvio que há distorção no foco no PT, nas contas da presidente Dilma e do presidente Lula e um diversionismo em relação a provas contundentes em relação ao PSDB. Esses são fatos que devem preocupar todos os que têm compromisso com a democracia".
Coordenadores da campanha eleitoral de Dilma divulgaram nota para afirmar que o pagamento de R$ 88 milhões ao publicitário João Santana foi feito de forma legal. O vice-líder do governo, o deputado Sílvio Costa, do PT do B de Pernambuco, descartou qualquer envolvimento de Dilma Rousseff em supostas irregularidades. Costa reconheceu a importância da Operação Lava Jato, mas alertou que não deve haver condenações antes do término das investigações.
"Por mais que a oposição queira fazer um link com o impeachment, não tem nada a ver por um motivo muito simples: toda campanha tem o presidente do comitê financeiro e a presidente Dilma não tratou de recurso de campanha. Esses recursos que existem nas contas desse marqueteiro, no exterior, também devem ser recursos de outros países porque ele fez outras campanhas mundo afora. Mas, é claro que ele vai ter que se explicar como qualquer um que foi citado ou preso pela Lava Jato".
A Justiça determinou ainda a prisão preventiva da mulher de João Santana, Mônica Moura, que é também sócia do publicitário. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 51 mandados, nesta segunda-feira, envolvendo busca, apreensão e prisão.








