17/12/2015 18:47 - Meio Ambiente
Radioagência
Povos tradicionais buscam autoafirmação social com base no território
Pesquisadores, índios, quilombolas e ribeirinhos lutam pela autoafirmação social com base no território. O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) foi tema do debate realizado nesta quinta-feira (17) pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara.
Criada em 2005, a iniciativa agrega 100 pesquisadores e mais de mil agentes que trabalham com os povos tradicionais em 15 estados, do sul do Paraná, região dos faxinalenses, no Maranhão, terra das quebradeiras de coco. Os pesquisadores ensinam técnicas de mapeamento, além de conversar com os agentes e coletar relatos sobre a história social e os problemas regionais. A partir daí, são elaborados mapas referenciados em elementos locais, como casas, embarcações e plantas. Ao mesmo tempo, os pesquisadores e agentes transcrevem trechos de depoimentos de moradores que irão compor os fascículos.
Jurandir Novaes é professora da Universidade Federal do Pará e relata as descobertas sobre a cultura quilombola, a partir do mapeamento do grupo na Ilha de São Vicente, no Tocantins.
"São falas que vão surgindo, e que são colocadas pelos quilombolas que relatam sua forma de viver, a sua luta, os seus antagonistas, os conflitos com os quais eles se defrontam. E você vai encontrar 1/3 do fascículo falando da relação com o babaçu. É muito interessante, e não é provocado. Perguntando o que nós desejamos perguntar."
O deputado Edmilson Rodrigues, do Psol do Pará, que solicitou o debate, falou sobre os benefícios de uma cartografia protagonizada pelo próprio cartografado.
"Indígenas urbanos em Belém mereceram cartografia social e muitos vêm recuperando a sua própria identidade indígena, depois de anos trabalhando como doméstica, numa casa qualquer, agora dizem 'Não, eu sou indígena da etnia tal, meu povo está lá no município tal e estou em Belém, mas assumo a condição indígena’.”
Edmilson Rodrigues acredita ser preciso ouvir os povos tradicionais, em especial, quanto a sua organização no território. Segundo ele, é necessário fazer um contraponto para as propostas que tramitam na Câmara que tratam da demarcação de terras (PEC 215/00), indenizações do estado a fazendeiros pela terra nua (PEC 132/11), mineração em terras indígenas (PL 1610/96), dentre outras.
O professor da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Alfredo Wagner de Almeida, criticou o que chamou de pauta do desmatamento no Congresso Nacional.
"Em um ano, nós tivemos cerca de 600 proposições ligadas a desmatamento e, curiosamente, ninguém diz que é a favor do desmatamento, todo mundo diz que é contra. Então, quer dizer, esse é um problema que está lá nas comunidades, mas está aqui também dentro do Congresso Nacional."
Durante o debate sobre o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, expositores pediram o desfecho da luta travada pelas comunidades remanescentes de quilombos do município de Alcântara, no Maranhão, por seus direitos ao território e à autodeterminação étnico-racial.








