24/11/2015 20:51 - Esportes
Radioagência
Jogadores de futebol reclamam da falta de direitos trabalhistas
Nesta terça-feira, o futebol teve uma partida política. Foi o centro de um debate realizado pela Comissão de Esporte da Câmara. Lá, jogadores, treinadores, clubes, especialistas e autoridades mostraram quais são os problemas que enfrentam na prática e reivindicaram melhorias. Apesar de o futebol fazer a alegria de tanta gente, os envolvidos não estão contentes.
Os atletas, por exemplo, reclamam da falta de direitos trabalhistas. Eles pedem aposentadoria, auxílio para voltar ao mercado de trabalho depois de pendurar as chuteiras e o principal: regras mais duras para o pagamento de salários, como explica Rinaldo Martorelli, presidente da Federação Nacional de Atletas Profissionais de Futebol.
"Alguém veio e achou que três meses é um tempo adequado para o clube não pagar salário. Pelo amor de Deus. Qual de nós vive três meses sem salário? Então a gente está requerendo 45 dias."
Os treinadores também se sentem desvalorizados, como relata José Mário Barros, presidente da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol.
"Dentro do segmento de futebol, o treinador é o que menos tem proteção. A gente tem uma lei de 23 anos que não foi regulamentada. A CBF, a federação, não tem controle dos treinadores brasileiros."
Os clubes, muitas vezes apontados como vilões nesse cenário, também são vítimas porque são responsabilizados por tudo relacionado ao esporte e acabam sendo prejudicados nas negociações de jogadores. É o que alega o presidente do Santos Futebol Clube, Modesto Roma Júnior.
"Precisamos proteger os treinadores, os jogadores, o preparador físico, precisamos proteger o público e quem protege o clube?"
As divergências entre as categorias são várias, mas numa coisa eles concordam: foi um avanço o Profut, Programa de Modernização do Futebol Brasileiro, lei sancionada este ano e que permite o refinanciamento de dívidas dos clubes em troca do cumprimento de metas na administração. Mas é preciso ir além para organizar ainda mais o esporte. Todas as sugestões apresentadas durante o Primeiro Fórum Legislativo do Futebol vão ser debatidas mais profundamente pelos deputados. A ideia é apresentar sugestões de melhorias em projetos de lei até maio do ano que vem, segundo o deputado Afonso Hamm (PP/RS), presidente da Subcomissão Permanente do Futebol Brasileiro.
"Não podemos ser pretensiosos de querermos estabelecer que nesse fórum se tome todas as conclusões. Mas o que já é conclusivo do que é importante e que há um entendimento que é positivo para o futebol, o que é de providência legislativa, nós temos que fazer os estudos, debater pontualmente cada ponto e providenciar a legislação necessária."
Apesar de não ser mais o líder nos rankings internacionais, o futebol brasileiro continua sendo o principal formador de talentos no esporte. Treze em cada 100 jogadores profissionais no mundo surgiram nos campos verde-amarelos, segundo a Confederação Brasileira de Futebol.








