12/11/2015 18:15 - Trabalho
Radioagência
Representantes da Petros e da Funcef explicam investimentos à CPI dos Fundos de Pensão
Representantes da Petros e da Funcef explicam investimentos à CPI dos Fundos de Pensão. Sérgio Salgado, ex-suplente do Conselho Fiscal da Petros, detalhou à CPI dois casos de prejuízos que considera emblemáticos envolvendo compra de ações da Itaúsa e da Lupatech. No primeiro negócio, a Petros investiu 3 bilhões de reais em 2010, em ações que hoje valem metade disso. No segundo negócio, a Petros aplicou 400 milhões de reais na empresa, em títulos que hoje são avaliados em 223 mil reais. O ex-conselheiro da Petros, Sérgio Salgado, aposentado e beneficiário do fundo, considerou os investimentos contrários aos interesses dos aposentados.
O relator da CPI, deputado Sérgio Souza, do PMDB paranaense, avalia, no entanto, que o depoente não conseguiu provar se os prejuízos foram resultado de mercado ou se houve ma fé dos dirigentes e prometeu aprofundar a investigação. Já o sub-relator de investimento, Marcos Pestana, do PSDB mineiro, considerou o modelo da operação da Petros exótico, especialmente no caso da Itaúsa, em que as ações compradas da Camargo Corrêa não davam direito a assento no conselho da empresa.
"Você pegar até um patrimônio saudável, um ativo saudável, como ações da Itaúsa, e ainda assim no processo, coisas estranhas ocorrerem. Tem alguns ativos que são podres na raiz, que não dá pra entender o investimento, como é o caso da Lupatech. Mas no caso específico (da Itaúsa), a estranheza de uma operação desse tipo, fechada dois dias depois da eleição presidencial, com um prejuízo já inicial do valor de mercado e sem objetivos claros, porque se fosse usufruir da rentabilidade da Itaúsa, era melhor comprar preferencial"
Sobre a Funcef, falou Carlos Augusto Borges, diretor de Participações Societárias e Imobiliárias do fundo. Ele detalhou a política de investimentos praticada pela entidade que envolve vários pareceres de risco e análises técnicas, bem como decisões colegiadas em todos os investimentos acima de 500 milhões de reais. Ele não detalhou, entretanto, investimentos e prejuízos no fundo Multiner, do setor de energia elétrica, citados pelo relator da CPI, deputado Sérgio Souza, como um dos negócios que causaram prejuízos à Funcef. Souza avalia que o episódio pode indicar ter havido gestão temerária ou fraudulenta dentro da Funcef, entre 2009 e 2012.
"Já era bem claro naquele momento que esse Fip, ele tinha diversos problemas, inclusive a Aneel já tinha suspendido várias licenças de operação da Multiner. Por que a Funcef mesmo assim continuou investindo em algo que aparentava prejuízo certo?"
Souza também questionou o diretor da Funcef sobre investimentos em ações da vale do Rio Doce que teriam tido o preço alterado para mascarar déficit no fundo. O diretor da Funcef, no entanto, explicou que a variação se deveu ao preço do minério de ferro e que a operação não foi irregular. Souza contra-argumentou que a própria Previc, órgão regulador do setor, considerou a operação uma manobra contábil. Borges negou essa possibilidade e disse que a Funcef está sujeita a auditorias externas.








