03/11/2015 11:00 - Esportes
Radioagência
Relator admite desproporção na distribuição de recursos para clubes de futebol
As regras de negociação de transmissão e direitos de imagem dos campeonatos de futebol para a televisão foram discutidas pela comissão especial que analisa a reformulação da legislação do esporte e reuniu representantes de clubes, emissoras e da CBF. O debate girou em torno se há ou não injustiça na distribuição dos recursos.
No campeonato brasileiro, os direitos de transmissão da série A são negociados entre as emissoras e os clubes. Flamengo e Corínthians, recebem, cada um, 10% dos direitos de TV. O Figueirense é o que recebe menos, 2%. Se no Brasil a diferença entre o clube que recebe mais e o que recebe menos é de 5 vezes, na Espanha a diferença chega a 12 vezes e na Itália, a sete vezes. O representante do Náutico, que disputa a série B, Gláuber Cabral, afirma que a arrecadação com audiência proporcionada pelos clubes de grande torcida nacional deve ser levada em consideração, mas, a continuar essa regra, os clubes pequenos vão desaparecer. Segundo ele, após a criação do Clube dos 13, o Náutico passou a ser um clube pequeno e tem receita de 3 milhões de reais enquanto o Sport Recife tem receita dez vezes maior.
"O público que assiste é muito importante. Mas, se ficar assim, terão 18 clubes, só no Brasil e mais nada. Então a série B e a série C, por exemplo, deixarão de existir, porque não tem sentido e não tem capacidade de fazer futebol como está distribuído hoje."
Para ele, os atuais critérios de transmissão de jogos na televisão aberta formam o que ele chama de "torcedores alienígenas", pois a televisão transmite os jogos dos mesmos clubes e forma, no Brasil inteiro, mais torcedores dos times de Rio e São Paulo. Na opinião do diretor de Aquisição de Direitos Brasil do canal Esporte Interativo, Bernardo Ramalho, o problema maior não é de distribuição dos direitos de transmissão, mas de valor. Para ele, os clubes precisam se organizar melhor para entender melhor o mercado de TV e nada vai mudar se o valor de patrocínio não subir. E o valor aumenta se houver de fato concorrência.
"O principal mercado onde existe concorrência no mundo inteiro, onde se aumentaram os direitos de transmissão no mundo inteiro, foi nos direitos de TV paga, de TV fechada. Hoje existem 5 canais de esportes no Brasil. Por que não existe concorrência normal nesse mercado? As operadores de TV paga carregam todos os canais esportivos hoje? Isso precisa ser investigado, isso precisa ser entendido. Esse é o grande ponto. A partir daí, o mercado natural, normal, vai existir concorrência. Com concorrência, o direito vai subir."
O representante do Globo Esporte, Fernando Tranjan, não quis dar entrevistas, mas, na audiência pública, afirmou que a Rede Globo teve que se basear em critérios téncicos baseados em audiência e alcance nacional, regional ou estadual. A cada ano, a emissora também negocia com os quatro clubes que sobem para a série A.
As séries C e D são patrocinadas pela CBF e, segundo o diretor de marketing da CBF, Gilberto Ratto, a série D é viabilizada graças à CBF, que investe em torno de 40 a 50 milhões de reais de recursos próprios para viabilizar transporte, hotel e alimentação. Após a reunião, o relator da comissão especial, Rogério Marinho, do PSDB do Rio Grande do Norte, afirmou que o encontro serviu para mostrar que o futebol não está subfinanciado no Brasil, o que ainda persiste é uma desproporção entre o que os clubes recebem, mas a desproporção, principalmente na série B, onde chega a diferença chega a ser 12 vezes maior.
"A nossa expectativa é que nós tenhamos o cuidado de não sermos intervencionistas em excesso, porque não nos cabe nos imiscuir numa relação entre entes privados, clubes de futebol, no caso, e emissoras de televisão, mas nos cabe fazer o equilíbrio do processo. Se há distorção, isso precisa ser dirimido."
O deputado Rogério Marinho afirma que seu relatório deve ser apresentado após o recesso. A comissão foi criada para apresentar propostas de reformulação da legislação do esporte, principalmente a Lei Pelé, de 98 (Lei 9.615/98) e do Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei 10.671/03).








