28/10/2015 21:25 - Consumidor
Radioagência
Projeto que libera motores a diesel para carros leves gera divergências
Montadoras de automóveis e fabricantes de autopeças divergem sobre liberação de motores a diesel para veículos leves. Deputados também cobram da Volkswagen esclarecimentos sobre os reflexos, no Brasil, da fraude mundial envolvendo a medição de poluentes de veículos a diesel. Esses temas foram debatidos, nesta quarta-feira, em audiência conjunta da Comissão de Defesa do Consumidor e da comissão especial que analisa a proposta (PL 1013/11) de liberação de motores a diesel para carros utilitários de médio porte, ou seja, aqueles com peso máximo de uma tonelada.
Atualmente no Brasil o motor a diesel só pode equipar veículos mais pesados, como picapes, vans, ônibus e caminhões. A Aprove Diesel, entidade que reúne empresas de tecnologia do setor de autopeças, defendeu a aprovação do projeto de lei sob os argumentos de que os atuais motores a diesel são econômicos, tecnologicamente avançados e permitem controle efetivo das emissões de poluentes por meio de catalisadores e filtros. O presidente da Aprove Diesel, Mario Massagardi, disse que a liberação desses motores para veículos leves terá reflexo positivo na economia e na geração de empregos no país.
"Existem consumidores, aqui no Brasil, que rodam 200 km ou 300 km por dia com seu carro [como os taxistas, por exemplo]. E eles têm o direito de ter algo econômico e com durabilidade e confiabilidade do motor."
Já a Associação Nacional de Veículos Automotores chegou a emitir parecer contrário ao projeto de lei, mas reabriu a discussão internamente. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, prefere ênfase em outros combustíveis da atual matriz energética brasileira, como o etanol, mas aguarda um novo parecer técnico sobre o diesel em um prazo de dois ou três meses.
Vários deputados também cobraram providências da Volkswagen para o ressarcimento, no Brasil, de eventuais prejuízos com a instalação de um software que altera resultados sobre emissões de poluentes instalados em cerca de 11 milhões de veículos a diesel, em todo o mundo. O escândalo internacional abalou a credibilidade da empresa alemã e causou a demissão de seu presidente mundial e seu primeiro prejuízo trimestral nos últimos 15 anos.
No Brasil, a Volkwagen admite que 17 mil picapes Amarok, importadas entre 2011 e 2012, estão equipadas com o software fraudado e vão passar por recall no próximo ano. O deputado Aureo, do Solidariedade fluminense, cobrou mais esclarecimentos.
"A Volks cometeu um crime no nosso país: fraudou um software que não poderia ser fraudado. A Volks acha que vai ficar impune e fazer só um recall no veículo dos usuários?"
Ao deputado Sarney Filho, do PV do Maranhão, o diretor de assuntos governamentais da Volkswagen no Brasil, Antônio Megale, afirmou que a empresa admite pagar eventuais multas com base na legislação ambiental brasileira. Megale também garantiu que os softwares fraudados não alteram os padrões de segurança e performance das picapes.
"Nós estamos realmente profundamente chocados com o que aconteceu. O sistema falhou e estamos identificando essas falhas mundialmente. No primeiro trimestre do ano que vem, estaremos fazendo a substituição [de software] para todos os 17 mil carros, sem prejuízo algum para o cliente."
A Operação Zelotes da Polícia Federal também foi tema da reunião. Questionado por parlamentares, o presidente da Anfavea negou participação da entidade em negociações fraudulentas sobre incentivos fiscais para favorecer empresas automotoras, incorporados em medidas provisórias aprovadas no Congresso. Um dirigente da Anfavea, preso na operação, foi suspenso da entidade por tempo indeterminado.








