08/10/2015 18:44 - Saúde
Radioagência
Deputados lançam Frente Parlamentar de Incentivo à Captação e Doação de Órgãos
Lançada, na Câmara, a Frente Parlamentar de Incentivo à Captação e à Doação de Órgãos. O grupo de 250 deputados iniciou as atividades, nesta quinta-feira, com o apoio do Ministério da Saúde, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e da Aliança Brasileira de Apoio à Saúde Renal (Abrasrenal), entre outros órgãos e entidades. O coordenador da frente, deputado Roberto Sales, do PRB fluminense, afirmou que os parlamentares vão trabalhar pelo aumento no número de transplantes e de doadores de órgãos no país e pela superação das dificuldades diárias enfrentadas pelos profissionais da área. Sales também prometeu incentivo a campanhas preventivas de saúde e às chamadas terapias substitutivas, como diálise e homodiálise, no caso dos rins, por exemplo.
"Receberemos propostas, sugestões, denúncias e reclamações e tentaremos, junto ao Ministério da Saúde e outros órgãos, chegar a um consenso. Também vamos atuar na prevenção para que as pessoas tenham hábitos saudáves e, assim, não cheguem ao ponto de precisar de um transplante".
Em números absolutos, o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos na realização de transplantes de órgãos no mundo. Porém, a relação entre transplantes e número de habitantes faz o desempenho do país desabar. De janeiro a junho deste ano, o país realizou 3.770 transplantes, mas cerca de 32 mil pacientes ainda aguardavam a vez na lista de espera. As maiores filas são relativas a rim (19.249), córnea (10.386), fígado (1.448), pâncreas (461), coração (235) e pulmão (201), segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RTB). Além desses órgãos, o país também realiza transplantes de medula óssea e cartilagem. O próprio deputado Roberto Sales é um transplantado e afirma conhecer bem o drama diário de quem aguarda uma doação de órgão.
"Recebi um rim do meu pai. Durante três anos e meio, fiz o tratamento de hemodiálise e fui privilegiado por meu pai, com 74 anos na época, estar disponível para doar. Mas, e aqueles que estão na fila? E aqueles que faleceram na fila de transplante? Então, é necessário esse empenho e a minha bandeira principal, aqui na Câmara, será essa: a doação de órgãos".
O presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, Luís Pacheco, elogia o fato de o Sistema Único de Saúde custear a maior parte das cirurgias no país. Mas ressaltou que há gargalos que precisam ser superados.
"Quem espera fígado morre na fila esperando. Quem espera coração e pulmão fica ligado a uma máquina até transplantar e vão morrer em breve se não houver transplante. O Brasil tem um programa de transplante enorme que dá orgulho para qualquer um, mas, se a gente olhar o tamanho do país e as necessidades da população, a gente ainda tem muito a fazer".
A frente parlamentar prometeu empenho para lutar contra o corte de recursos orçamentários, o atraso no repasse de verbas, o subfinanciamento e outros gargalos do setor. Hoje o Sistema Nacional de Transplantes conta com apenas 20 funcionários. Os deputados também pretendem apresentar emendas ao Orçamento da União para socorrer algumas unidades de saúde em crise, como é o caso do Hospital do Fundão, que pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi um dos pioneiros na realização de transplante de órgãos no país mas teve alas de transplante recentemente fechadas.








