07/10/2015 18:19 - Economia
07/10/2015 18:19 - Economia
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, José Carlos Martins, estima que haverá 500 mil demissões este ano no setor. Ele participou de debate no Plenário da Câmara para discutir a crise do setor da construção civil.
"2 milhões de pessoas deixarão de ter o seu sustento. Neste instante o efeito ainda não é muito grande, porque convivem com seguro desemprego e rescisão. Eu quero ver ano que vem como isso irá se comportar. Ninguém está enxergando isso."
José Martins ressaltou que a Previdência deixará de arrecadar 4 bilhões de reais com as demissões e os maus resultados do setor deverão provocar queda de 1% no PIB, o Produto Interno Bruto. Para José Martins, o governo trabalha com o imediatismo, sendo que o setor apresenta resultados em longo prazo. Ele criticou o corte no orçamento federal destinado ao setor.
"O ajuste fiscal é feito com corte de investimentos e aumento de tributos; os dois nos impactam e nos prejudicam.".
O deputado JHC, do Solidariedade de Alagoas, que propôs o debate, ressaltou os atrasos em pagamentos de obras do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, e do Programa Minha Casa Minha Vida. Ele também chamou a atenção para a falta de políticas públicas para o setor.
"Um setor que já ocupou de 6% a 7% do PIB brasileiro, 3 milhões de empregos diretos, e hoje ele se vê numa situação caótica, porque não existe hoje uma definição de políticas públicas, nem o próprio Estado brasileiro definindo quais são as prioridades em relação ao setor."
Para o deputado Luiz Carlos Hauly, do PSDB do Paraná, o setor também passa por uma crise de credibilidade, por conta do envolvimento de muitos empresários da construção civil em acusações de corrupção.
Alguns debatedores afirmaram que o momento requer revisão das leis trabalhistas. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal, Luiz Carlos Botelho, defendeu que o Congresso legisle sobre a terceirização do trabalho, que seria essencial para a construção civil. Mas ele criticou o projeto de lei sobre terceirização aprovado pela Câmara.
"O PL em curso, que está no Senado, distorce a qualidade funcional e a produtividade. Ela cria embaraços à produção e ao desenvolvimento profissional e à produção por pessoa."
Outros debatedores disseram que os entraves burocráticos também prejudicam muito o setor e defenderam o a reforma da Lei de Licitações pelo Congresso.
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