19/08/2015 22:51 - Direito e Justiça
Radioagência
Líderes religiosos pregam diálogo e respeito para combater discursos odiosos
Líderes religiosos pregam diálogo e respeito às diferenças para combater a propagação de intolerâncias e discursos odiosos. O encontro ecumênico foi realizado, nesta quarta-feira, em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Números do Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, mostram que seguidores de umbanda e candomblé e evangélicos lideram a lista de vítimas das denúncias de intolerância religiosa no país. Os deputados também receberam dados da Secretaria de Assistência Social do Rio de Janeiro, que registrou 948 queixas relacionadas à religião em todo o estado, entre 2012 e 2014. Para ilustrar a crescente violência contra os cultos afros, a líder do candomblé no Pará, Oneide Rodrigues, mais conhecida como Mam'etu Nangetu, citou o caso da menina Kayllane Campos, de 11 anos, apedrejada, na zona norte do Rio, quando voltava para casa com roupas típicas do candomblé. Mam'etu Nangetu fez um apelo dramático por paz e respeito.
"O ódio religioso cada dia cresce mais. Estamos vendo pessoas invadirem os nossos terreiros e destruírem o nosso sagrado. Então, eu vim pedir socorro pelo meu povo. Tem que se dar um basta nisso. Nós temos que fazer campanha e todas as religiões se unirem para que o povo veja que nós só cultuamos um Deus diferente, mas nós somos todos iguais. Nós somos humanos e merecemos respeito."
Mam'etu Nangetu afirmou que, por causa de suas crenças e vestes, seguidores de cultos afros são perseguidos cotidianamente em ambiente público e que muitas denúncias são ignoradas pelas autoridades. Líderes evangélicos também afirmaram que os seguidores da religião são vítimas históricas de intolerância no país, resultante de resistências da maioria esmagadoramente católica da população, até o fim do século passado. Em nome dos evangélicos, o senador Marcelo Crivella, do PRB fluminense, atribuiu os casos de intolerância religiosa a fanatismos.
"Nós evangélicos talvez tenhamos episódios a lamentar por parte de certos segmentos que, no afã de defender seus ideais e a fé, esbarram no fanatismo. Mas, não se pode, de maneira nenhuma - sob pena de cometermos uma injustiça histórica, generalizarmos isso. Na sua imensa maioria, o povo evangélico é um povo tolerante, pacífico e amoroso sem arredar um milímetro de suas convicções."
O encontro também contou com religiosos católicos e anglicanos. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Paulo Pimenta, do PT gaúcho, informou que este foi apenas o primeiro de uma série de debates que o colegiado vai promover, a fim de contemplar pronunciamentos de todas as religiões existentes no Brasil.
"O objetivo é contribuir para a promoção do diálogo interreligioso, a liberdade e convivência respeitosa entre os diversos cultos e a laicidade do Estado. Todos nós sabemos que as instituições religiosas são vocacionadas à formação de valores humanistas, mas há também uma outra realidade histórica que é a ocorrência de episódios de violência e de intolerância entre as religiões".
A Câmara analisa uma proposta (PL 1219/15) que prevê o Estatuto da Liberdade Religiosa, incluindo as liberdades de consciência, pensamento, discurso, culto e organização religiosa.








