22/07/2015 10:20 - Economia
Radioagência
Cunha defende negociação para solucionar impasse sobre reajuste do Judiciário
Presidente da Câmara defende negociação para solucionar impasse em torno do reajuste do Judiciário. Em entrevista nesta terça-feira, Eduardo Cunha comentou o veto da presidente Dilma Rousseff ao reajuste escalonado de até 78% para os servidores do Judiciário. Desde a aprovação da matéria (PL 7920/14) no Congresso, Dilma já havia classificado o reajuste de "insustentável". Eduardo Cunha garantiu que seu recente anúncio de oposição ao governo não o fará trabalhar pela derrubada do veto presidencial. Para o presidente da Câmara, a crise econômica exige uma solução negociada para o impasse:
"Se o governo não está em condições de conceder esse aumento, não é derrubar o veto que vai resolver o problema. Tem que se buscar uma negociação para algo que o governo, dentro das contas públicas, suporte conceder. Aquilo que for institucional na defesa das contas públicas sempre teve [meu apoio] e vou continuar tendo o mesmo comportamento. Não há, da minha parte, nenhuma alteração em relação a isso. Eu tenho responsabilidade com o país. Não podemos impor aumento de despesa pública que o governo não tem condições de suportar, ainda mais em um momento de crise. Então, tem que se ter cautela em relação a isso."
No entanto, Cunha criticou a articulação da base governista durante a tramitação da matéria no Congresso:
"Quando esse processo saiu das comissões e foi diretamente para o Senado, não houve recurso: nem do governo, que poderia ter feito recurso para levar ao Plenário [da Câmara], com 10% dos parlamentares assinando. Então, o governo aqui não recorreu e, lá no Senado, votou unanimemente. Acho que é um problema de articulação da base do governo."
Em defesa do reajuste, servidores do Judiciário fizeram várias manifestações durante este mês e chegaram a interditar o Eixo Momunental, em frente ao Palácio do Planalto, nesta terça.
O presidente da Câmara também comentou sobre uma possível redução da meta fiscal, defendida por setores da equipe econômica do governo federal. Eduardo Cunha lembrou que o Congresso fez sua parte ao aprovar o ajuste fiscal pretendido pelo governo, mas frisou que é necessária uma sinalização mais clara do Executivo quanto à retomada do crescimento econômico:
"É preciso ter cautela, porque a atividade econômica está sendo bastante reduzida, o que vai agravar a arrecadação tributária, que, consequentemente, vai demandar mais medidas. Então, o governo tem que mostrar uma saída na política econômica que possa mostrar quando será retomado o viés de crescimento e de recuperação da atividade econômica. Sem isso, nós vamos ficar, a cada hora que passa, buscando uma medida nova para segurar a despesa que não está sendo contida e a receita que está caindo."
Na entrevista desta terça, Eduardo Cunha também atribuiu à "deterioração do ambiente econômico" a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff, apurada em pesquisa da Confederação Nacional do Transporte.








