15/07/2015 22:25 - Direito e Justiça
Radioagência
Ministro da Justiça nega interferência no trabalho da PF a serviço do governo
O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo negou nesta quarta-feira (15) qualquer interferência do governo nos inquéritos e nas investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava-Jato. O ministro participou de audiência na CPI da Petrobras. José Eduardo Cardozo foi convocado para dar explicações sobre o caso das escutas clandestinas encontradas na cela do doleiro Alberto Youssef na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).
Cardozo afirmou que é acusado injustamente tanto de instrumentalizar a Polícia Federal a serviço dos interesses do governo quanto de não controlar a instituição. Ele defendeu a presidente Dilma Rousseff e negou que ela tenha, em algum momento, solicitado interferências nos processos de investigação ou reclamado de sua atuação à frente do ministério.
"Os princípios constitucionais e a legislação brasileira não permite que ministros da justiça controlem inquéritos ou induzam investigações. Mas posso lhe afirmar que enquanto estive e estiver no Ministério da Justiça, guardando estrita consonância com a presidência da República, jamais o ministro atuará na perspectiva de controlar ou direcionar investigações."
O deputado Bruno Covas (PSDB-SP) questionou sobre audiências realizadas entre o ministro e advogados de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato na sede do ministério.
"Na ocasião o juiz Mouro apontou indevida interferência dos advogados dizendo o seguinte: embora os episódios não tenham sido totalmente esclarecidos, trata-se de haver uma tentativa mal sucedida tentativa dos acusados e das empreiteiras de obter uma interferência política em seu favor no processo judicial. O ex-presidente do STF Joaquim Barbosa comentou que aqueles que recorrem à política para resolver problemas judiciais não buscam a justiça, buscam corrompê-la."
Cardozo explicou que teve apenas uma reunião com advogados da Odebrecht que queriam apresentar duas representações denunciando supostas irregularidades em fatos que envolvem a Lava Jato.
O ministro da Justiça confirmou ainda que foi informado pela Polícia Federal da existência de escutas clandestinas na cela do doleiro Alberto Youssef na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR) e das providências tomadas para apurar a irregularidade.
Segundo José Eduardo Cardozo, a corregedoria da Polícia Federal agiu para verificar a situação de ilegalidade que poderia estar ocorrendo no momento e determinou a instauração de sindicância para investigar o possível envolvimento de agentes da Policia Federal.








